
Autoridades do regime da Nicarágua detiveram por algumas horas o bispo emérito Juan Abelardo Mata, de 80 anos, após ele celebrar uma missa em que pediu orações pela Igreja Católica perseguida e por sacerdotes expulsos do país. A informação foi denunciada nesta terça-feira (30).
De acordo com a imprensa nicaraguense, que cita fontes ligadas à Igreja Católica no país, Mata foi abordado por policiais do regime nicaraguense nesta segunda-feira (29), um dia depois de participar de uma missa na igreja Cruz do Calvário, na cidade de Estelí, no norte da Nicarágua.
Durante a celebração, realizada no domingo (28), o bispo emérito pediu que os fiéis rezassem pela Igreja perseguida e pelos sacerdotes expulsos pelo regime de Daniel Ortega. Conforme o jornal La Prensa, ele mencionou nominalmente o bispo Rolando Álvarez, exilado, e o padre Frutos Constantino Valle Salmerón.
Segundo a La Prensa, Mata havia viajado a Estelí na semana passada para participar de celebrações ligadas ao Dia de São João. O jornal informou que o religioso foi retido quando estava em uma clínica da cidade e, depois de algumas horas, foi levado para sua residência em Tisma, no departamento de Masaya.
Fontes citadas pela imprensa local afirmaram que o bispo teria sido levado sob o argumento de que era alvo de uma investigação. Até o momento, a Polícia Nacional da Nicarágua, responsável pela ação, não apresentou explicação oficial sobre a detenção do bispo, nem informou a existência de processo judicial contra o religioso.
A ação contra Mata ocorre em meio ao agravamento da perseguição religiosa na Nicarágua. Segundo o relatório “Fé sob fogo”, da ONG Coletivo Nicarágua Nunca Mais, ao menos 261 religiosos, incluindo o presidente da Conferência Episcopal da Nicarágua, Carlos Herrera, foram expulsos do país nos últimos anos.
As relações entre o Vaticano e Manágua estão oficialmente suspensas e atravessam um dos momentos mais tensos dos últimos anos. Em 2023, o então papa Francisco classificou o regime de Ortega como uma “ditadura grosseira”, após a condenação do bispo Rolando Álvarez a mais de 26 anos de prisão por “traição à pátria”. Álvarez foi posteriormente libertado, expulso do país e teve sua nacionalidade retirada.
Ortega também dissolveu e expropriou a Companhia de Jesus, ordem religiosa à qual pertencia o papa Francisco, e já chamou a Igreja Católica de “máfia” e de “instituição antidemocrática”.
Autor: Gazeta do Povo








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