Um dos últimos registros de Juarez Teixeira é uma foto em que é tietado pelo neto Décio, com o autógrafo em uma camiseta do Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense. O “Leão do Olímpico”, em referência ao antigo estádio do time gaúcho, celebrou, até os últimos dias, uma trajetória de conquistas dentro e fora dos campos.
Nascido em Blumenau e criado em Itajaí, em Santa Catarina, Juarez entrou para o futebol aos 18 anos. Passou pelo Ferroviário, Caxias, Newell’s Old Boys, da Argentina, e outras equipes, mas foi no Grêmio que marcou o nome na história do futebol, com cinco títulos estaduais.
Após deixar os gramados, o artilheiro investiu nos estudos e na ampliação do patrimônio da família. Formou-se em ciências contábeis, ascendeu em cargos como servidor público na Caixa Econômica Federal, pela qual se aposentou como tesoureiro, e comprou imóveis, especialmente no litoral de Santa Catarina.
Deixou “tudo organizado” antes da partida. Sabia que estava chegando a hora, e dizia estar pronto, feliz pela trajetória percorrida.
“Viveu e morreu como um gentleman”, resume a neta e afilhada Andréia Teixeira. Ela descreve o avô como um homem íntegro, determinado.
Era habilidoso em matemática, aprendeu inglês sozinho e ajudava os netos em tarefas escolares. Também tinha gosto por história e filosofia, além de uma “compreensão profunda da vida”. Um sábio.
Após a aposentadoria dos gramados, levou a primeira esposa —Paulina, com quem dividiu a vida por 60 anos— para conhecer o que havia visitado como jogador. “Como ele mesmo dizia: saiu de Itajaí com uma mala nas mãos, ele e minha avó, e ganhou o mundo, jogou em diversos países, construiu um imenso patrimônio e uma linda família”, descreve a neta.
No futebol, era chamado também de Juarez Tanque, pela força física e liderança. Com habilidade nos dois pés, o centroavante marcou 205 gols em 306 jogos pelo tricolor de Porto Alegre, de 1955 a 1962.
A despedida do clube do coração foi especial: uma vitória em Gre-Nal, por 2 a 0. Sua trajetória também foi marcada pela passagem na seleção brasileira, sagrando-se campeão pan-americano em 1956.
Mesmo aposentado, mantinha a ligação com o Grêmio, pelo qual foi conselheiro por 30 anos. Sua marca está gravada na calçada da fama do Estádio Olímpico Monumental, antiga casa gremista.
“Reunia filhas, genros e netos para assistir a jogos na TV e no campo”, conta Andréia. Registros recentes mostram que continuou a frequentar o estádio até pouco tempo atrás.
A neta destaca outra característica de Juarez: ser um homem de palavra. Como exemplo, narra a vez em que deixou de vender um imóvel pelo dobro do preço porque já havia se comprometido com outro.
Juarez Teixeira morreu em Porto Alegre, aos 97 anos, em 6 de abril, de causas naturais. Deixou 2 filhas, 6 netos e 5 bisnetos, além da mulher.
Autor: Folha








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