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Meta testa óculos de IA para ver e ouvir tudo – 08/07/2026 – Tec

A Meta está testando um protótipo de óculos de inteligência artificial com super sensores que usariam câmeras e gravações de áudio para capturar cada momento vivido pelo usuário, enquanto avança no controverso mercado de dispositivos que veem e ouvem tudo.

A empresa vem desenvolvendo uma nova linha de hardware de óculos inteligentes que coletaria áudio continuamente enquanto tira fotos a cada poucos segundos, segundo várias pessoas familiarizadas com o assunto. O usuário poderia então usar IA para consultar o que viu ou ouviu, ou relembrar seu dia.

Os óculos provocaram debates internos sobre como lidar com questões de privacidade, incluindo pessoas que não usam o dispositivo e consideram a tecnologia invasiva.

Com os atuais óculos inteligentes de IA da Meta, um LED no canto da armação acende para sinalizar aos outros quando o usuário está tirando fotos ou filmando.

No entanto, executivos planejam não ativar o LED quando os recursos de super sensores estiverem sendo usados, segundo várias pessoas a par do projeto. Isso dificultaria para as pessoas ao redor saberem quando estão sendo gravadas, o que pode aumentar as preocupações com privacidade em torno da tecnologia. Esses planos ainda podem mudar, disseram as pessoas.

Os recursos de super sensores também poderiam ser ativados nos óculos já lançados da Meta por meio de uma atualização de software, acrescentaram.

A iniciativa ocorre enquanto o CEO Mark Zuckerberg argumenta que os óculos de IA poderiam substituir os smartphones no futuro, tornando-se os dispositivos principais para acessar ferramentas de IA, incluindo tradução ou chatbots.

No sistema proposto, as imagens e áudios brutos não seriam armazenados pela Meta nem disponibilizados ao usuário, disseram as pessoas. Em vez disso, os metadados desse áudio e das imagens seriam extraídos e enviados ao servidor para consulta pela IA da Meta, o que, segundo defensores da ideia, teria menos implicações de privacidade.

A empresa também está discutindo se os dados coletados pelos óculos e seus recursos poderiam ser usados para treinar seus próprios modelos de IA. A Meta se recusou a comentar sobre “protótipos internos”, mas disse que sua abordagem foca em “privacidade incorporada desde a concepção”.

A empresa mencionou um projeto de pesquisa recente de “wearables” (dispositivos “vestíveis”, em tradução literal) de IA que “usa tecnologias de proteção de privacidade para ajudar as pessoas sem capturar fotos e vídeos da forma como câmeras tradicionais funcionam”, incluindo recursos que convertem automaticamente fala em texto legível.

O site The Information já havia reportado alguns detalhes sobre o projeto dos óculos com super sensores.

Zuckerberg deu pistas sobre a tecnologia durante a divulgação de resultados do primeiro trimestre da Meta, dizendo que queria que os óculos evoluíssem “de serem capazes de responder perguntas para serem capazes de ser um agente pessoal que está com você o dia todo, ajudando você a lembrar de coisas e alcançar seus objetivos”.

A Meta também está explorando outros tipos de dispositivos sempre ativos além dos óculos. Em dezembro, comprou a Limitless, fabricante de pingentes com IA que podem gravar e transcrever conversas em tempo real e permitir que usuários pesquisem essas informações pelo aplicativo da empresa.

Os investimentos nesse tipo de dispositivo ocorrem após a Meta reduzir seu custoso esforço para construir um “metaverso” repleto de avatares que precisa de headsets para ser acessado —conceito que não conseguiu atrair consumidores.

A empresa vem mudando sua estratégia de realidade virtual e aumentada para óculos de IA após o sucesso dos Meta Ray-Bans, óculos inteligentes com alto-falantes e câmeras embutidos, vendidos em parceria com o grupo EssilorLuxottica. No mês passado, a Meta lançou uma versão ainda mais barata desses óculos, incluindo um produto com armações desenhadas pela influenciadora Kylie Jenner.

Uma versão mais avançada dos óculos Ray-Ban, lançada no ano passado, inclui uma tela que pode sobrepor mensagens de texto ou videochamadas em uma das lentes.

Com os óculos de super sensores, a Meta provavelmente enfrentará novos desafios legais e regulatórios, além de forte resistência de consumidores preocupados com privacidade.

Especialistas argumentam que dispositivos sempre ativos podem violar leis de privacidade de dados ou de dados biométricos, por exemplo. Também não está claro se a empresa ou o usuário será responsável por qualquer violação de leis de escuta telefônica, já que continua sendo ilegal em vários estados americanos gravar áudio de terceiros sem consentimento.

Alguns estão pedindo nova regulamentação diante dos avanços tecnológicos. “Não existe uma única lei que aborde todas as diferentes formas perigosas como essas ferramentas foram projetadas e construídas”, disse Woodrow Hartzog, professor de direito na Faculdade de Direito da Universidade de Boston. “Os legisladores precisam levar isso a sério e atualizar as leis para acomodar essa realidade de dispositivos sempre ativos, sempre observando.”

A atual linha de óculos inteligentes Ray-Ban da Meta já não acende quando o usuário está usando IA para fazer perguntas sobre o mundo ao seu redor. Em um documento de 2025, a Meta disse que “se o LED piscasse por períodos prolongados (como sempre que houvesse uma interação com IA), as pessoas poderiam parar de notá-lo —reduzindo a percepção de quando fotos ou vídeos estão sendo capturados pelos usuários.”

No entanto, acrescentou que quando os óculos fossem usados para recursos de IA, a empresa “tomaria medidas para proteger a privacidade das pessoas, como remover informações identificáveis importantes”.

Autor: Folha

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