Uma empresa farmacêutica egípcia está desenvolvendo uma possível vacina contra a cepa mortal de ebola que assola a República Democrática do Congo (RDC), anunciou a companhia nesta quinta-feira (27).
A Minapharm receberá até US$ 16,5 milhões (R$ 85,1 milhões) da Coalizão para Inovações em Preparação para Epidemias (CEPI) para trabalhar em uma vacina destinada a combater a espécie Bundibugyo do vírus ebola, informaram as entidades em comunicado conjunto.
A vacina candidata foi desenvolvida pela ProBioGen, subsidiária da Minapharm com sede em Berlim.
Trata-se da quinta vacina candidata contra o Bundibugyo financiada pela CEPI, em meio à corrida para encontrar meios de conter o surto na República Democrática do Congo.
Os US$ 16,5 milhões deverão financiar seu avanço pelas etapas laboratoriais até o chamado ensaio clínico de fase 1 —testes em pequena escala com seres humanos.
O ensaio —destinado a determinar sua segurança e capacidade de provocar uma resposta imunológica— deverá ser realizado na África.
Não há vacinas nem tratamentos específicos contra o Bundibugyo, que se espalha em ritmo mais acelerado do que os esforços para controlá-lo.
Mais de 5.600 casos foram confirmados na RDC, incluindo mais de 2.700 mortes, desde que o surto foi declarado em 15 de maio.
“O vírus Bundibugyo está agora por trás do maior surto de ebola já enfrentado pela RDC”, afirmou Jean Kaseya, chefe da agência de saúde pública da União Africana.
“Uma vacina candidata desenvolvida por uma empresa africana representa exatamente o tipo de capacidade de que nosso continente precisa —não apenas para este surto, mas para que a África possa desenvolver e fabricar os instrumentos necessários para proteger sua própria população”, disse no comunicado o diretor-geral dos Centros Africanos de Controle e Prevenção de Doenças (CDC).
Cinco vacinas em desenvolvimento
A CEPI, sediada em Oslo, financia outras quatro vacinas candidatas contra o Bundibugyo, que estão em diferentes estágios de desenvolvimento e utilizam diversas tecnologias.
A Moderna desenvolve uma delas, com tecnologia de mRNA; a Universidade de Oxford e o Serum Institute of India desenvolvem outra, com a plataforma ChAdOx; e a Hilleman e a Public Health Vaccines desenvolvem uma candidata cada, com a tecnologia rVSV.
A vacina candidata da Minapharm utiliza a plataforma MVA e é a única projetada para induzir respostas tanto de células B quanto de células T, visando uma imunidade duradoura.
As diferentes opções tecnológicas “aumentam ao máximo a probabilidade de desenvolver uma vacina segura e eficaz que possa ajudar a controlar esta crise devastadora”, afirmou o comunicado.
A CEPI espera que ao menos duas vacinas contra o Bundibugyo sejam aprovadas nos ensaios e demonstrem qualidade suficiente para que a Organização Mundial da Saúde autorize seu uso.
Enquanto isso, a OMS recomendou a realização, na RDC, de um ensaio em larga escala com seres humanos da única vacina contra o ebola já aprovada, para verificar se ela oferece proteção cruzada contra o Bundibugyo.
A Ervebo demonstrou ser segura e eficaz contra a cepa Zaire, mais comum, do vírus ebola. Especialistas da OMS afirmaram que dados preliminares, sobretudo de testes em animais, indicam que ela também pode oferecer alguma proteção contra o Bundibugyo.
Autor: Folha








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