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Na Serra Gaúcha, cooperativas viraram gigantes do vinho e suco

Aos 16 anos, Nestor Tonin carregava nas costas cestos de vime com cerca de 20 quilos de uva, percorrendo dezenas de metros pelos parreirais da família em Farroupilha, durante a vindima, período da colheita da uva. Aos 54 anos, vê o filho Bernardo, de 18, percorrer o mesmo caminho, com uma diferença: o trabalho braçal deu lugar a tratores e recipientes capazes de transportar até 500 quilos de uma só vez.

Entre uma cena e outra, a uva mudou de destino e exigiu do produtor aprender a produzir de olho no mercado. Depois de décadas cultivando principalmente Isabel e Bordô, Nestor passou a investir em castas finas como Moscato Giallo, Moscato R3 e Malvasia Aromática destinadas à produção de espumantes. A  decisão segue as orientações técnicas da cooperativa, mas exige planejamento. Cada safra é única e um vinhedo novo leva de dois a três anos para começar a produzir. E, nesse intervalo, a preferência dos consumidores pode mudar.

“Você tem que ser malabarista, apostar um pouco de tudo, né? A velha história do plano B”, resume o produtor, associado há 34 anos ao cooperativismo vinícola na Serra Gaúcha.

Nestor é um dos cerca de 4,7 mil produtores associados a 12 cooperativas vinícolas do Rio Grande do Sul, estado responsável por aproximadamente 90% da produção brasileira de vinhos e espumantes. Juntas, essas organizações mantêm 1,4 mil empregos diretos e movimentaram R$ 1,8 bilhão em 2025, crescimento nominal de 25% em relação a 2021, segundo o Sistema Ocergs.