As eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, conhecidas como midterms, acontecem a cada quatro anos, sempre na metade do mandato presidencial. Em 2026, a votação ocorreu nesta terça-feira (3), dois anos depois da eleição que levou Donald Trump novamente à Casa Branca e dois anos antes da próxima disputa presidencial.
Apesar de não escolherem o presidente, as midterms nos Estados Unidos têm impacto direto sobre a capacidade do governo de aprovar leis e colocar sua agenda em prática. Isso ocorre porque os eleitores definem a composição do Congresso, formado pela Câmara dos Representantes e pelo Senado.
“O resultado define qual partido controla o Congresso e, portanto, quão fácil será para o presidente aprovar seus planos”, explica Roosevelt Arraes, especialista em direito eleitoral, diretor da Escola Paranaense de Direito e observador eleitoral internacional pela Transparência Eleitoral.
Afinal, o que são as midterms, ou eleições de meio mandato?
O nome vem justamente do momento em que a votação acontece: no meio de um mandato presidencial de quatro anos. As eleições para o Congresso, porém, ocorrem a cada dois anos.
Em cada ciclo, todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes são colocadas em disputa. Já o Senado, que tem 100 integrantes com mandatos de seis anos, renova aproximadamente um terço de suas cadeiras a cada eleição. Em 2026, são 35 vagas em disputa.
A Câmara é a casa legislativa proporcional à população dos estados, enquanto o Senado garante dois representantes para cada estado. As duas casas participam do processo de elaboração das leis federais, mas também possuem atribuições específicas dentro do sistema de freios e contrapesos americano.
As midterms também não se limitam ao Congresso. Dependendo do estado, os eleitores escolhem governadores, parlamentares estaduais e podem votar em consultas e propostas submetidas diretamente à população. Por isso, a cédula pode reunir uma série de disputas diferentes.
Por que o Congresso é tão importante?
O presidente dos Estados Unidos não governa sozinho. O Congresso tem papel central na aprovação de leis e do orçamento, além de exercer mecanismos de fiscalização sobre o Executivo. O Senado também participa da confirmação de determinadas nomeações presidenciais, incluindo integrantes do Judiciário.
Assim, quando o partido de oposição conquista a maioria em uma das casas, a governabilidade tende a ficar mais difícil. Projetos podem ser barrados ou exigir negociações mais amplas, enquanto comissões parlamentares ganham força para investigar atos do governo.
“Sem a maioria do Congresso, aqueles planos que o atual presidente tem para eventualmente implementar nos dois últimos anos de mandato vão ter dificuldades de aprovação, vai ter que negociar muito com o Partido Democrata”, afirma Arraes.
No caso de Trump, portanto, o resultado das midterms pode definir o grau de dificuldade que o presidente encontrará até o fim do segundo mandato.
Se os democratas controlarem uma ou ambas as casas, a oposição terá mais instrumentos para pressionar e fiscalizar o governo. Se os republicanos mantiverem o controle, Trump terá maior facilidade para avançar sua agenda legislativa.
As midterms escolhem o próximo presidente?
Não. O presidente não é eleito nas eleições de meio de mandato. A próxima eleição presidencial está marcada para 2028.
A diferença também está no sistema utilizado para escolher o chefe do Executivo. Nas eleições para o Congresso, os eleitores votam diretamente nos candidatos às vagas legislativas. Na eleição presidencial, por outro lado, o resultado é definido pelo Colégio Eleitoral, formado por delegados distribuídos entre os estados.
“Na midterms, cada pessoa equivale a um voto. E depois, na eleição presidencial, temos a eleição por delegado”, explica o especialista.
Mesmo sem escolher o presidente, as midterms nos Estados Unidos são acompanhadas como um termômetro político. O desempenho do partido que ocupa a Casa Branca pode indicar o grau de aprovação do governo e influenciar a preparação para a eleição seguinte.
“Além dessas questões políticas, de aprovação de leis, questões de governabilidade, a eleição de meio de mandato também funciona como um termômetro para medir a popularidade do presidente”, afirma Arraes.
Por isso, o resultado de 2026 pode pesar nas estratégias de republicanos e democratas para 2028, embora não determine antecipadamente quem vencerá a próxima eleição presidencial. Como ressalta o professor, ainda há dois anos de governo e de mudanças no cenário político até a disputa pela Casa Branca.
Autor: Gazeta do Povo








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