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O que aconteceu na Turquia quando Erdogan tentou controlar os juros

O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, pressionou o Banco Central do país a reduzir os juros a partir de 2021, mesmo com a inflação em alta. A estratégia, defendida pelo presidente como uma forma de estimular a economia e combater o aumento dos preços, foi acompanhada por uma forte desvalorização da moeda turca e uma disparada da inflação, que chegou a 85,51% em outubro de 2022, o maior patamar em 24 anos.

A política econômica de Erdogan contrariava a estratégia tradicional dos bancos centrais, que costumam elevar os juros para conter a inflação. O presidente turco defendia que as taxas elevadas encareciam o crédito, prejudicavam a produção e contribuíam para aumentar os preços dos produtos.

Em março de 2021, Erdogan demitiu o então presidente do Banco Central, Naci Ağbal, apenas dois dias depois de a instituição elevar os juros para 19% ao ano. Ele foi substituído por Şahap Kavcıoğlu, que compartilhava da visão do presidente sobre os efeitos negativos das taxas elevadas.

Em setembro daquele ano, o Banco Central iniciou uma sequência de cortes. Os juros, que estavam em 19%, caíram para 14% em dezembro de 2021. A redução continuou nos meses seguintes e, em fevereiro de 2023, a taxa chegou a 8,5%, apesar de a inflação permanecer muito acima da meta oficial de 5%.