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“Maior apreensão de cocaína” vira vexame para Receita e Polícia

Nenhum grama de cocaína. Foi o que a perícia da Polícia Federal encontrou na carga de 260 toneladas de madeira que, um mês antes, o governo federal apresentara como a maior apreensão da droga já feita no país.

Na ocasião, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, classificou a operação como “uma resposta firme do Estado”, conforme publicação na rede social X no dia 21 de junho. “Confirmado o volume, será a maior apreensão de cocaína da história do Brasil — e uma das maiores já registradas no mundo. É uma resposta firme do Estado brasileiro à sofisticação das organizações criminosas que atuam no tráfico internacional”, comemorou o ministro. 

Ele completou dizendo que “a Operação Timber Shield mostra a importância da integração entre inteligência, fiscalização aduaneira, investigação criminal e cooperação internacional”. O problema foi que, pouco tempo depois, o que seria uma das maiores apreensões de entorpecentes na história mundial transformou-se em um vexame ainda mal explicado para a Receita Federal e para a Polícia Federal (PF) do Brasil.

História contada era cinematográfica

A história apresentada à imprensa no final de junho era, afinal, cinematográfica: a apreensão de uma carga de madeira de 260 toneladas onde estariam injetadas, na forma líquida, até 50 toneladas de cocaína — segundo a Receita Federal divulgou na ocasião. Com base em ocorrências anteriores, calculava-se que entre 10% e 20% do peso da madeira poderia corresponder a cocaína, com potencial para atingir de 20 a 50 toneladas da droga.

A operação da Receita em conjunto com a Polícia Federal, com o Exército e com a colaboração de autoridades dos Estados Unidos e da Bolívia apreendeu quatro caminhões com a carga de madeira em Corumbá (MS) e outros quatro em Cáceres (MT), na faixa de fronteira com a Bolívia. Exames iniciais, divulgados pela Receita na época na apresentação da apreensão da madeira, teriam confirmado a presença de cocaína na carga.