terça-feira, setembro 8, 2026
14.4 C
Pinhais

Padilha nega uso estético e quer protocolo para ‘canetas’ – 08/09/2026 – Equilíbrio e Saúde

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha (PT), disse nesta terça-feira (8) que o SUS (Sistema Único de Saúde) deve incorporar “definitivamente” as canetas emagrecedoras nos próximos anos, mas que o produto será utilizado sob protocolos voltados para doenças específicas, como a obesidade, e não deve ser visto como “milagre estético”.

Ele afirmou que as canetas “podem ter um papel muito importante” para pacientes que estão na fila de cirurgia bariátrica ou que apresentam problemas cardiovasculares. Também mencionou a possibilidade de ofertá-las às mulheres que tratam o câncer de mama —há estudos sobre possíveis efeitos benéficos dos produtos no combate a alguns tumores.

As canetas ainda não estão incorporadas de forma ampla ao SUS. Há experiências voltadas a poucos pacientes no município do Rio de Janeiro, além de protocolos envolvendo as gestões estaduais do Rio e Goiás e do Distrito Federal.

Padilha tratou da oferta das canetas durante um evento promovido pelo canal Amado Mundo com representantes das campanhas a presidente sobre propostas para o setor até 2030.

O ministro da Saúde de Lula (PT) disse que, nos próximos anos, as drogas voltadas ao tratamento do diabetes e obesidade estarão no SUS, mas não estimou um prazo para concretizar a entrega dos medicamentos.

Padilha disse que as canetas serão “definitivamente incorporadas no sistema de saúde, em protocolos específicos sobre o que cabe a elas fazer, não vendo essas canetas como ferramentas ou milagres estéticos, mas como medicamentos, que têm que ser tratados dessa forma, que podem ter um papel muito importante”.

O Ministério da Saúde também promove um estudo em unidade do GHC (Grupo Hospitalar Conceição), em Porto Alegre, com cerca de 250 pacientes com obesidade grave ou associada a outras doenças e com indicação para cirurgia bariátrica. Padilha afirmou que se trata do “principal protocolo” em análise.

As chamadas canetas emagrecedoras são medicamentos agonistas de GLP-1, hormônio produzido naturalmente pelo corpo humano que atua no controle dos níveis de glicose no sangue e nos mecanismos de saciedade. As principais marcas no mercado são compostas por semaglutida (Ozempic e Wegovy, da Novo Nordisk, além de marcas nacionais, como Ozivy, da EMS) e tirzepatida (Mounjaro, da Eli Lilly), que também atua no receptor do hormônio GIP.

Existe forte pressão de consumidores, de parte da indústria e do mundo político para ampliar a oferta e baixar custos dos emagrecedores. O aumento do consumo para fins estéticos ou fora da bula, além da popularização de versões manipuladas e de medicamentos trazidos do Paraguai, porém, são pontos que preocupam associações e sociedades médicas.

A Novo Nordisk renovou neste ano pedido para a Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias) de levar para a rede pública o Wegovy, medicamento contendo semaglutida. A proposta da farmacêutica é atender pacientes com obesidade que já sofreram infarto. Na análise anterior feita em 2025, destinada a público mais amplo, a comissão negou a incorporação ao apontar impacto de até R$ 8 bilhões aos cofres públicos.

Agora, a empresa estima que 38.598 pacientes poderiam receber o tratamento, se a nova proposta for aprovada pela Conitec, ao custo de R$ 500 milhões a R$ 650 milhões por ano.

No ano passado, a disputa pelo mercado dos emagrecedores ganhou novo rumo com atuação direta do governo Lula (PT). A Anvisa atendeu a um pedido do Ministério da Saúde e passou na frente da sua fila de análise 20 pedidos de emagrecedores contendo liraglutida ou semaglutida.

Em maio, a Anvisa aprovou a primeira caneta contendo semaglutida e fabricada por indústria nacional, a Ozivy, da EMS. Desde então, aprovou uma série de outras versões do produto, incluindo dois genéricos —que são ao menos 35% mais baratos que o produto de referência.

Autor: Folha

Destaques da Semana

Temas

Siga-nos

Conheça Nosso Guia de Compras

spot_img

Artigos Relacionados

Categorias mais Procuradas