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Restaurante Tari abre na Vila Madalena, em SP – 02/07/2026 – Restaurantes


São Paulo


Em tempos de storytelling e experiências que viralizam nas redes, ir ao Tari, que inaugurou em meados de junho no mesmo imóvel ocupado pelo Clos Wine Bar, na Vila Madalena, faz refletir sobre o que nos agrada em um restaurante.

Na mesma frequência que o ambiente, que é receptivo mas discreto, as receitas são delicadas e as referências aparecem de maneira sutil, sem levantar a bandeira de uma cozinha específica.

Tiradito com peixe curado, leite de tigre de banana elaborado com masato, bebida fermentada amazônica, do Tari

Tiradito com peixe curado, leite de tigre de banana elaborado com masato, bebida fermentada amazônica, do Tari


Ana Weber/Divulgação Estúdio Mascavo

Ainda assim, é possível identificar eixos que se destacam na comida elaborada pelo chef Sergio Suslick: há boa presença de pescados, referências latino-americanas são perceptíveis (Suslick morou no Peru) e alguns preparos brasileiros também, como indica o pão de alho na brasa (R$ 19).

As entradas são generosas e não seria um crime gastronômico decidir apostar todas as fichas da noite nelas. É reconfortante descobrir, em um restaurante, que a criatividade já está em jogo antes que se chegue aos pratos principais. Inspira o cliente a ousar mais porque o cuidado parece estar presente em todas as etapas da refeição.

O mexilhão (R$ 79), por exemplo, fica na fronteira fictícia entre moules et frites e moqueca. Nela, os moluscos são servidos com caldo da receita baiana e vêm com uma farofinha de flocão de milho com toques de maracujá.

Ainda na parte inicial, o x-coração (R$ 59) consegue atender expectativas de quem gosta desse ingrediente e recompensar a decisão de pedi-lo em um restaurante. É um coração de pato na brasa (ligeiramente mal passado) com pão brioche, acelga fermentada, queijo meia-cura e maionese de avocado.

Se essa versão te empolgar, considere o BLT siri (R$ 59) antes de ir para os principais. É a sigla em inglês para um sanduíche tão simples que ganhou o nome de seus ingredientes: bacon, alface (lettuce) e tomate. Na casa, leva carne de siri refogada com alho-poró, pão brioche, molho tártaro de maçã-verde, bacon, alface e tomate.

Na seleção principal do cardápio, os pescados mantêm sua presença: há polvo R$ 123 (cozido em baixa temperatura com nhoque de batata, molho romesco e chorizo) e peixe do dia (R$ 117) com velouté de abóbora e vinagrete de feijão-manteiguinha.

Ainda que a oferta de peixes e frutos do mar bem tratados seja uma conquista recente de São Paulo, um pequeno ato de rebeldia é válido: fora da frente marítima, o matambre suíno (R$ 99) vale o desvio. A carne de porco é grelhada na brasa, servida com jus de suã (espinha dorsal) e laranja, com polenta e farofa de azedinha.

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A sobremesa de creme de queijo mascarpone e banana (R$ 45) com toque de cachaça, crocante de quinoa com chocolate e granita de frutas vermelhas pode ser uma síntese da experiência.

Ela, assim como outros pratos e drinques (em especial o brunch martíni, que leva cordial de banana), é feita de processos longos e técnicas familiares só para quem trabalha com gastronomia (e aficionados). Nessa equação, o que importa mesmo não são descrições complicadas que cairiam bem em fotos instagramáveis. Mas os pequenos detalhes que agradaram e você consegue lembrar no dia seguinte.

Tari
R. Girassol, 310, Vila Madalena, região oeste. @tarirestaurante

Autor: Folha

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