
A Suprema Corte da Rússia decidiu nesta segunda-feira (10) impedir o partido Yabloko de disputar as eleições parlamentares marcadas para setembro. A legenda era o único partido oficialmente registrado no país que se posicionava contra a guerra na Ucrânia e vinha defendendo um cessar-fogo, negociações diplomáticas e o fim da repressão política no país.
A decisão atendeu a uma ação apresentada pelo Rodina, partido nacionalista alinhado ao regime do ditador Vladmir Putin. Segundo a agência Reuters, o Rodina acusou o Yabloko de receber apoio financeiro não declarado para a campanha, inclusive de fontes estrangeiras, além de apontar outras supostas irregularidades.
Durante a audiência, o presidente do Yabloko, Nikolai Rybakov, afirmou que não havia provas para sustentar as acusações e classificou o processo como uma tentativa de adversários políticos de retirar concorrentes da disputa. O partido anunciou que pretende recorrer da decisão.
A Comissão Eleitoral Central da Rússia havia aprovado a lista de candidatos do Yabloko no fim de julho. Antes mesmo da decisão desta segunda-feira, porém, alguns integrantes da legenda já haviam sido impedidos de concorrer, segundo a noticiou a emissora britânica BBC. Entre eles estava o vice-líder da legenda, Maxim Kruglov, condenado em junho a sete anos de prisão por publicações em redes sociais sobre mortes de civis em cidades ucranianas.
O Yabloko fazia campanha com o lema “Por paz e liberdade! Por uma vida sem medo!” e defendia publicamente um acordo de cessar-fogo, diplomacia e paz para encerrar o conflito na Ucrânia. A legenda também se apresentava como defensora de uma Rússia sem medo e sem repressão política.
A decisão provocou uma rara manifestação pública de apoio ao partido em Moscou. Centenas de pessoas, em sua maioria jovens, se reuniram do lado de fora do tribunal durante a audiência.
Após a decisão, Rybakov afirmou que retirar o Yabloko da disputa significava recusar diálogo com uma parcela da população que faz questionamentos incômodos às autoridades.
“Excluir o Yabloko da eleição significa recusar diálogo com pessoas que fazem perguntas que são desconfortáveis para as autoridades”, declarou o dirigente, segundo a Reuters.
A exclusão do partido ocorre em um cenário de forte limitação da oposição política na Rússia. Desde o início da invasão à Ucrânia, em fevereiro de 2022, o regime russo ampliou leis de censura e punições contra manifestações contrárias à guerra. Ativistas, jornalistas e políticos de oposição foram presos, deixaram o país ou passaram a enfrentar restrições para atuar politicamente.
Autor: Gazeta do Povo








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