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Terapia com testosterona pode causar infertilidade? – 09/08/2026 – Equilíbrio e Saúde

A função da testosterona é, em grande parte, a produção de espermatozoides. É por isso que é um tanto paradoxal quando um homem que não precisa começa a tomá-la mesmo assim: seu cérebro registra um nível excepcionalmente alto do hormônio no sangue, conclui que o corpo produziu em excesso e envia a ordem para interromper a produção, o que faz com que os testículos fiquem inativos e a quantidade de espermatozoides diminua.

A testosterona está em alta, presente em todas as redes sociais, na cultura das academias e nos fóruns de bem-estar pela internet, sendo vendida por laboratórios online, contatos de academias e serviços de saúde por telefone.

As informações a respeito, no entanto, variam de simplistas demais a totalmente perigosas. Os homens estão tomando mais testosterona do que nunca, para se sentirem mais viris. Mas, ao fazerem isso, podem estar dizendo ao próprio corpo para parar de produzi-la naturalmente.

O que a testosterona faz, quem realmente precisa de tratamento e quais podem ser os custos para os homens que a tomam sem necessidade? A ciência responde.

Testosterona versus produção de espermatozoides

O corpo regula a testosterona da mesma forma que um termostato regula o calor. Quando o cérebro detecta níveis anormais elevados do hormônio na corrente sanguínea, ele envia um sinal aos testículos para que parem de produzi-lo naturalmente.

Os testículos, na prática, entram em inatividade e, como a produção de espermatozoides depende do que ocorre em seu interior, ela também é interrompida.

Alguns homens que se automedicam com testosterona elevam seus níveis a mais de quatro vezes o limite clínico inferior. As consequências incluem distúrbios de coagulação sanguínea, estresse cardiovascular, instabilidade de humor e, em alguns casos, danos irreversíveis à fertilidade. O que é vendido como um atalho para a força e a libido pode, sem supervisão, custar a um homem sua fertilidade.

Níveis normais por faixa etária

A testosterona atinge seu pico durante a puberdade, geralmente entre os 13 e os 15 anos. Depois disso, diminui lentamente pelo resto da vida do homem. Um nível mais baixo de testosterona aos 40 anos em comparação aos 15 não é um distúrbio, mas, sim, o envelhecimento.

O limite utilizado pelos médicos é de 300 nanogramas por decilitro de sangue. Mas esse limite vem com uma condição: ele deve ser confirmado por pelo menos dois exames de sangue realizados em momentos diferentes do dia, pois os níveis variam.

Abaixo desse valor, o especialista pode considerar a possibilidade de um tratamento. Acima de 300, não há base clínica para intervenção.

Como aumentar a testosterona naturalmente?

Antes de se considerar qualquer tratamento médico, quatro fatores-chave do estilo de vida devem ser analisados: sono, consumo de álcool, drogas e tabagismo, além do estresse crônico: cada um desses itens têm um impacto mensurável nos níveis de testosterona. Lidar com eles pode ser o necessário e não traz riscos como a terapia hormonal.

O que é e quem precisa?

A terapia de reposição de testosterona (TRT) trata uma deficiência hormonal diagnosticada. É um procedimento médico legítimo, envolvendo injeções, comprimidos e cremes, que funciona para os homens que precisam dela.

O problema é que muitos que a utilizam não têm deficiência alguma: homens com níveis normais de testosterona estão cada vez mais buscando a TRT, e não como tratamento, mas como um potencializador de desempenho –e obtêm o tratamento por meio de laboratórios não regulamentados na internet, contatos em academias e serviços de telessaúde que emitem receitas sem avaliação médica adequada.

Tratamento pode causar infertilidade?

Em alguns casos, sim: ainda que muitos homens que param de tomar testosterona recuperem sua própria produção em poucos meses. Mas nem todos. Dependendo da dose e do tempo de uso, as pesquisas estimam que a proporção daqueles que nunca recuperam a produção própria fica entre um em cada dez e um em cada cinco.

TRT funciona ou é placebo?

Muitos homens que administram a própria testosterona relatam sentir-se mais fortes, mais alertas e com mais energia.

Parte disso pode refletir uma mudança fisiológica genuína. Por outro lado, uma outra parte significativa é o efeito placebo –a tendência humana de se sentir melhor quando se acredita que se está sendo tratado.

Isso não torna a sensação menos real. Significa, porém, que a intervenção hormonal sem supervisão é uma jogada de alto risco por um benefício que pode existir apenas na mente da pessoa.

Siga as orientações

A recomendação dos médicos é certeira: faça o teste, saiba o valor e trate todo o resto –sites, influenciadores, contatos da academia– como anedotas, não como medicina.

Muitos homens não estão esperando. Em busca da masculinidade máxima vista e divulgada na internet, estão recorrendo à única substância capaz de fazer com que seus próprios corpos parem de produzi-la.

Autor: Folha

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