
Jornais e agências de todo o mundo destacam neste sábado (3) que a eleição presidencial deste domingo (4) será chave para definir alguns dos principais rumos do Brasil nos próximos anos. O resultado, segundo as reportagens, poderá mexer com a relação do país com o governo do presidente dos EUA, Donald Trump, influenciar o avanço da direita na América Latina e dar ao próximo presidente poder para fazer uma série de nomeações em algumas das principais instituições brasileiras, entre elas o Supremo Tribunal Federal (STF).
O jornal americano Washington Post colocou a relação com Trump entre os principais fatores que cercam a eleição deste domingo. Em reportagem publicada neste sábado, o jornal afirmou que a votação no Brasil será “o maior teste da tentativa de Trump de reafirmar o domínio dos Estados Unidos na região”. O jornal lembrou que a América Latina passou por uma guinada à direita nos últimos anos, com a eleição de governos mais próximos de Washington em diversos países. Nesse cenário, o resultado deste domingo ganha um peso maior para a estratégia de influência da Casa Branca por envolver a maior economia e o país mais populoso da região.
Segundo o Post, uma vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL) ampliaria o grupo de governos latino-americanos alinhados ao presidente americano. A reeleição de Lula (PT), por outro lado, manteria no comando do Brasil um presidente que entrou em confronto com Washington em diferentes momentos nos últimos anos.
A agência Associated Press também colocou a relação com os EUA entre as diferenças que poderão definir os próximos anos do Brasil após as eleições deste domingo. Segundo a agência, Lula e Flávio representam lados opostos do espectro político e apresentam “visões conflitantes sobre questões que vão desde como combater o crime organizado até a relação que o maior país da América Latina deve ter com o governo Trump”. Na área de segurança, a AP destacou que Flávio defende uma política mais próxima da adotada pelos EUA contra organizações criminosas transnacionais. O governo Trump incluiu as facções brasileiras PCC e o Comando Vermelho na lista americana de organizações terroristas estrangeiras neste ano, decisão à qual o governo Lula se opôs.
A agência também relacionou a disputa brasileira às mudanças políticas recentes na América Latina. Segundo a AP, uma vitória de Flávio colocaria o Brasil ao lado de outros países da região que elegeram governos próximos de Trump nos últimos anos.
Essa mudança no mapa político latino-americano também ganhou destaque no jornal britânico The Guardian. Em reportagem publicada neste sábado, o jornal apresentou a eleição brasileira como um teste para o que chamou de “crescente bloco latino-americano pró-Trump”.
O espanhol El País também seguiu uma linha semelhante. O jornal afirmou neste sábado que o Brasil escolherá seu próximo presidente “sob a sombra de Trump e de sua ofensiva para impulsionar governos conservadores”. O jornal destacou que as relações com os Estados Unidos passaram a ocupar um espaço importante na disputa brasileira depois das tensões entre Brasília e Washington nos últimos anos. Também apontou diferenças entre Lula e Flávio na política externa, com o senador defendendo maior aproximação com os americanos.
A agência espanhola EFE definiu a eleição brasileira como “a última batalha da guinada à direita na América Latina impulsionada por Trump”. Segundo a agência, o Brasil se tornou uma peça importante para definir até onde poderá chegar essa mudança no mapa político regional após vitórias recentes da direita em outros países.
Agência Reuters destaca poder para nomear integrantes do STF
Em reportagem publicada nesta sexta-feira (2), a agência britânica Reuters disse que o presidente eleito no Brasil “encontrará um número incomum de cargos a serem preenchidos” em algumas das instituições mais importantes do país.
“O próximo presidente do Brasil deverá herdar um número excepcionalmente grande de nomeações para as instituições mais poderosas do país”, diz a reportagem da agência.
A lista inclui o Supremo Tribunal Federal, o Banco Central e órgãos reguladores da economia.
No STF, uma cadeira permanece aberta desde que o Senado rejeitou, em abril, a indicação do ministro da AGU, Jorge Messias, feita por Lula. A Reuters destacou que a derrota do governo deixou a Corte com uma vaga aberta por um período que já é o mais longo desde a redemocratização. O próximo presidente também poderá ganhar ainda mais espaço para indicar ministros ao longo do mandato conforme os atuais integrantes da Corte atinjam a idade da aposentadoria compulsória.
Autor: Gazeta do Povo








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