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Adesivos de suplementos realmente funcionam? – 03/10/2026 – Equilíbrio

Nas redes sociais, muitos influenciadores exibem adesivos coloridos nos braços e na barriga, alegando que eles aumentam a dopamina, melhoram o humor ou proporcionam clareza mental.

As empresas que vendem esses adesivos afirmam que eles funcionam como os de nicotina ou estrogênio —respaldados por pesquisas e aprovados pela FDA—, permitindo que as substâncias sejam absorvidas pela pele e cheguem à corrente sanguínea. Mas será que vitaminas, extratos de plantas e outros ingredientes comuns desses adesivos de bem-estar também conseguem penetrar a pele?

“A administração transdérmica de medicamentos é uma ciência de verdade”, afirma Igor Koturbash, professor e codiretor do Centro de Pesquisa de Suplementos Alimentares da Universidade de Ciências Médicas do Arkansas. “Mas isso não significa que qualquer outro composto possa ser administrado com sucesso por meio da pele.”

O mercado de adesivos de bem-estar está crescendo. Há dezenas deles anunciados para diversas finalidades, como controle do peso, melhora da concentração e aumento da energia. Os adesivos de bem-estar e os suplementos que contêm não são avaliados pela FDA quanto à segurança e à eficácia da mesma forma que os medicamentos. Mas, deixando isso de lado, eles são eficazes?

Como funciona a administração transdérmica de medicamentos?

O principal benefício de administrar um medicamento por meio de um adesivo é que ele proporciona uma liberação lenta e contínua, diz David Kroll, professor de farmacologia e toxicologia de produtos naturais da Universidade do Colorado Anschutz. Esse método também evita o sistema digestivo, o que reduz os efeitos colaterais gastrointestinais.

Tomar medicamentos dessa forma “pode ser útil para o composto certo”, com as propriedades e a formulação adequadas, afirma Nicole K. Brogden, professora de ciências farmacêuticas da Universidade de Iowa.

Os adesivos também são diferentes de medicamentos tópicos, como cremes, que geralmente são formulados para produzir um efeito localizado e não entrar na corrente sanguínea, acrescenta. Vários medicamentos transdérmicos são aprovados pela FDA, entre eles a nicotina para ajudar a parar de fumar e outros destinados ao tratamento da doença de Parkinson, do transtorno do déficit de atenção com hiperatividade e da dor.

Quando um adesivo é aplicado ao corpo, seus princípios ativos atravessam a camada mais externa da pele, que possui uma “estrutura semelhante à de tijolos e argamassa”, composta por células da pele e gorduras, explica Brogden.

Compostos de baixo peso molecular e solúveis em gordura têm maior probabilidade de atravessar essa barreira, penetrar mais profundamente nas camadas da pele e, por fim, chegar à corrente sanguínea. Muitos adesivos contêm facilitadores de permeação, substâncias que ajudam os princípios ativos a atravessar a pele, diz Kroll.

É provável que os ingredientes dos adesivos de bem-estar penetrem a pele?

Poucos estudos examinaram os adesivos de bem-estar; por isso, é difícil dizer quais ingredientes —se algum— penetrarão a pele, chegarão à corrente sanguínea e proporcionarão algum benefício terapêutico, afirma Koturbash. Isso provavelmente varia conforme a marca e a formulação, as quantidades presentes no adesivo —que nem sempre são informadas— e quaisquer ingredientes adicionais, como os facilitadores de permeação, acrescenta Kroll.

Um pequeno estudo comparou adesivos multivitamínicos com comprimidos em 44 pacientes durante 12 meses após uma cirurgia bariátrica. Os que usaram adesivos apresentaram maior probabilidade de ter deficiência de substâncias como vitamina D, vitamina B12, folato e ferritina.

A vitamina B12 e outras vitaminas do complexo B, comumente encontradas em adesivos para dopamina, energia e controle de peso, provavelmente não penetrariam bem a pele por serem “altamente solúveis em água”, afirma Brogden.

No entanto, um estudo recente constatou que microagulhas que perfuram a pele e depois se dissolvem poderiam ajudar a vitamina B12 a atravessar a camada externa da pele.

Os adesivos de dopamina são especialmente populares, embora não contenham dopamina propriamente dita, mas seus precursores, que, segundo as marcas, melhorariam o humor ou a concentração. Essas alegações distorcem frequentemente o funcionamento da dopamina, e alguns ingredientes talvez nem cheguem à corrente sanguínea.

Alguns adesivos de dopamina contêm vitamina A, que “gosta muito, muito de gordura” e pode permanecer nas camadas lipídicas da pele, diz Brogden. Outros ingredientes se enquadram na categoria do “talvez”, acrescenta. A L-tirosina é um aminoácido pequeno o suficiente para penetrar a pele, mas sua formulação específica faz diferença. Mesmo que seja absorvida, afirma Koturbash, algumas reações químicas precisam ocorrer antes que a L-tirosina possa ser convertida em dopamina.

Extratos vegetais, como o de chá-verde, são ainda mais difíceis de avaliar como ingredientes de adesivos porque contêm vários compostos, diz Brogden.

A berberina, um composto vegetal comum em adesivos para controle de peso, pode ser absorvida pela pele, afirma Brogden. Um estudo realizado com pele de animais constatou que ela poderia ser administrada por meio de microagulhas. Koturbash diz que a berberina transdérmica é uma alternativa “promissora” à ingestão oral da substância, que pode afetar o microbioma intestinal, mas são necessárias mais pesquisas.

Você deveria experimentar um adesivo de bem-estar?

Há pouquíssimas evidências de que muitos dos suplementos usados nos adesivos cumpram as promessas das empresas. Quanto aos próprios adesivos, a maioria dos especialistas afirma que ainda é cedo demais para saber se eles conseguem levar os ingredientes até a corrente sanguínea.

Koturbash acrescenta que a ciência sobre os adesivos de bem-estar está atrás do desenvolvimento e da disponibilidade desses produtos.

Também existe o risco de efeitos colaterais, como uma reação alérgica, afirma Johnson. Os adesivos podem interagir com determinados medicamentos ou irritar a pele, diz Koturbash.

Os adesivos também podem ser caros, custando cerca de US$ 20 (R$ 104) a US$ 40 (R$ 208) por um suprimento mensal. “É uma maneira extremamente cara de tentar obter algo que você pode tomar por via oral”, afirma Kroll.

Autor: Folha

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