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Como lidar com pessoas negativas? Veja dicas – 24/04/2026 – Equilíbrio

Tem gente que sempre vê o copo meio vazio. Tudo na vida é motivo de reclamação. Essa negatividade, no entanto, pode se tornar tóxica e contagiar quem está por perto. Psicólogas dão dicas de como lidar com pessoas assim para não deixar que transformem o seu copo meio cheio em mais um vazio.

O primeiro passo é criar um distanciamento emocional e não se deixar levar pelo pessimismo do outro, afirma Ana Silvia Sanseverino Rennó, psicóloga clínica e professora universitária. “Deve-se entender que nem tudo o que o outro fala de ruim é uma verdade, e eu não preciso concordar”, explica.

Também é importante escutar o outro e demonstrar como você se sente mal ao conversar com o reclamão. “Não adianta pontuar que o outro só vê desgraça e é péssimo ficar perto dele”, observa a psicóloga, e dá exemplos de abordagens: “Quando você vai contando parece que é tudo tão difícil, tão horrível, será que tem algum lado bom?”; “Tento entender por que você enxerga tudo tão ruim, pois isso deve fazer mal para você”.

Se o papo ficou pesado e virou uma sequência de reclamações e críticas, tente encerrar o assunto e mudar o foco para algo mais leve, como perguntar se a pessoa já viu a série do momento, recomenda Larissa Fonseca, psicóloga especialista em ansiedade. É preciso ser firme, ela diz, mas sem ser agressivo.

Não alimente o problema, tampouco entre no ciclo de reclamação, ela completa. Tentar solucionar os problemas alheios só vai causar mais desgaste a você mesmo. “Às vezes, a pessoa só quer desabafar, não quer uma solução para o problema.” Se insistir na negatividade, escute apenas de corpo presente, “sem carregar aquele peso”, diz a psicóloga.

Tentar transformar o pessimismo em otimismo, porém, mais atrapalha, afirma Rennó. Dizer coisas como “é só dar uma volta que passa” ou “é só respirar fundo” pode gerar mais culpa.

As psicólogas recomendam evitar os pessimistas quando você perceber que não está num dia bom ou se sente emocionalmente instável. Nem sempre isso é possível, sobretudo se o convívio é frequente, como no trabalho ou em casa.

Nesses casos, Fonseca indica preencher as outras horas do dia com atividades prazerosas, como fazer uma aula de dança ou encontrar uma amiga que provoca boas risadas. “Isso vai te colocar para cima e resgatar um pouco da sua bateria para conviver com o outro”, diz ela. “Quando a gente convive com uma pessoa emocionalmente fragilizada, temos que tentar ao máximo nos fortalecer.”

Criar limites assim não é falta de amor ou de afeto, ressalta a especialista em ansiedade. “Às vezes, a gente precisa proteger a nossa paz. Isso não é egoísmo.” A distância é saudável, mas não precisa se afastar completamente, observa Rennó.

As psicólogas concordam que, em alguns casos, o afastamento definitivo é a solução mais indicada. Para isso, elas indicam prestar atenção em como o corpo reage: se já sente ansiedade só de pensar que vai encontrar a pessoa e preferia desmarcar ou se sente drenado após a interação. Se o convívio traz prejuízos para sua saúde mental, é melhor cortar a relação.

Caso não seja possível, quando se trata de um familiar, por exemplo, limitar o acesso à pessoa ajuda. “Se é alguém da família que não mora com você, por exemplo, não precisa ligar para ela todos os dias”, diz Rennó.

Essas pessoas nem sempre são ruins, observa a professora univesitária. É importante tentar entender de onde vem tanta negatividade. O desânimo e as reclamações constantes podem ser sintoma de alguma doença, como depressão e ansiedade, afirmam as psicólogas. Nesses casos, sugira à pessoa que busque ajuda especializada.

Outra possibilidade, observa Rennó, é que este seja um comportamento aprendido: a pessoa aprendeu a olhar o lado ruim das coisas porque conviveu num ambiente mais catastrófico. Pode ainda estar relacionada a questões emocionais, como ter vivenciado traumas.

Muitas vezes, o outro nem percebe que está sendo tão negativo. Pontuar isso pode ajudá-lo, diz Rennó, e é importante que haja um vínculo para falar isso de forma mais assertiva. Às vezes, é mais fácil esse reconhecimento venha de alguém de fora da família ou do círculo amigos, diz Fonseca. Pode ser que o reclamão não aceite, mas com o tempo aprenda —com terapia, esse processo é mais fácil.

Ou pode ser uma característica pessoal mesmo. Aí não adianta, quem é assim não vai parar de ser negativo só porque você diz, afirmam as psicólogas. “A gente não vai conseguir salvar todo mundo que não quer sair dessa”, resume Fonseca.

Autor: Folha

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