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Métodos contraceptivos naturais crescem entre mulheres – 24/04/2026 – Equilíbrio

Calcular a ovulação, medir a temperatura diariamente e observar as secreções vaginais são alguns dos métodos contraceptivos naturais que atraem mulheres que desejam se libertar dos hormônios, mas exigem um protocolo rigoroso para serem eficazes.

“Para mim, os contraceptivos hormonais foram um desastre completo”, relata Louise, 26, secretária municipal, à AFP.

Aos 18 anos, ela optou pelo DIU hormonal, mas seu corpo o rejeitou, e depois pelo implante, quando teve efeitos colaterais: ganho de peso, alterações de humor, depressão

Há seis anos, ela decidiu voltar ao “natural”: calcular seu ciclo menstrual e praticar a abstinência durante o período fértil.

Assim como ela, um número crescente de mulheres está abandonando os métodos contraceptivos tradicionais: 7,5% das mulheres os usavam em 2023, em comparação com 4,6% em 2016, segundo a pesquisa “Contexto da Sexualidade na França”, do Inserm (Instituto Nacional de Pesquisa em Saúde e Medicina).

Esses métodos incluem a tabelinha, também conhecido como método de Ogino, que se baseia no cálculo do período fértil; o método da temperatura, que requer registro diário em horário fixo; o método de Billings, que envolve a observação diária do muco cervical para identificar as diferentes fases do ciclo menstrual; e o método sintotérmico, que combina os dois métodos anteriores.

Esse interesse renovado é alimentado por um “clima de fobia hormonal”, afirma Geoffroy Robin, ginecologista do Hospital Universitário de Lille.

Essa rejeição, ou “hormonofobia”, como Robin destaca, começou principalmente com a revelação, em 2012, dos riscos aumentados associados às pílulas anticoncepcionais de terceira e quarta geração, e tem sido alimentada desde então por informações falsas.

Nas redes sociais, os métodos naturais são apresentados como uma forma de “se libertar” da contracepção hormonal que “arruína a saúde”.

“Recuperar meu corpo”

Em 20 anos, o uso da pílula anticoncepcional despencou na França entre mulheres de 18 a 49 anos, caindo de mais de 50% em 2005 para 26,8% em 2023, segundo pesquisa do Inserm.

Cécile Thomé, socióloga e pesquisadora do CNRS (Centro Nacional de Pesquisa Científica), também menciona uma tendência mais ampla de crescimento do bem-estar e do desenvolvimento pessoal, impulsionada pela promessa de “controlar o próprio corpo e alcançar um melhor autoconhecimento”.

“Eu queria recuperar meu corpo a seu estado natural, para ter certeza de que tudo estava funcionando corretamente”, explica Elodie Monnier Legrand, uma empresária de 30 anos.

Depois de dez anos tomando a pílula anticoncepcional, ela comprou um anel conectado, que custou mais de 200 euros (R$ 1.160), para monitorar sua temperatura, e assinou um aplicativo que supostamente identifica seu período fértil.

No entanto, depois de um ano e meio, Elodie engravidou duas vezes seguidas. Após sofrer dois abortos espontâneos, ela lamenta a falta de confiabilidade desse método, que “poderia ter oferecido uma alternativa muito interessante”.

Embora funcionem para algumas mulheres, esses métodos naturais têm suas limitações e só devem ser considerados por aquelas “que aceitam o risco da gravidez”, segundo o Inserm.

Essas práticas não são eficazes para mulheres com ciclos irregulares, ou seja, “uma em cada cinco mulheres”, de acordo com o ginecologista Robin. Além disso, muitos fatores podem afetar a análise da temperatura ou do muco cervical: infecções, candidíase, medicamentos (anti-histamínicos, paracetamol, entre outros) ou mudanças na rotina de trabalho.

Sessões de treinamento

Ao combinar vários métodos, a sintotermia apresenta uma taxa de eficácia superior a outros e pode ser adequada para “muitas mulheres” se estiverem “bem informadas”, afirma a ginecologista Danielle Hassoun.

Na França, alguns profissionais de saúde, principalmente parteiras, oferecem sessões de treinamento às suas pacientes.

A procura é tão grande que surgiram outras opções para aprender mais sobre esses métodos contraceptivos naturais.

Laurène Sindicic, advogada de formação, especializou-se em sintotermia e criou a plataforma educacional “Emancipées” (“Emancipadas”) em 2020. Ela oferece cursos com aulas teóricas e práticas, “essenciais, já que 100% das mulheres cometem erros no primeiro ciclo”, explica, e vende um acompanhamento de três ciclos por cerca de 400 euros (R$ 2.318).

“Eu não teria conseguido sozinha”, conta Juliette, de 28 anos, que começou o treinamento com sua parteira no início de 2025 e agora tem consultas de acompanhamento regulares. “É preciso constância, mas está indo muito bem”, afirma, acrescentando que não teve “nenhum susto” até agora.

Autor: Folha

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