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Anthropic testa sistema que permite IA atuar em experimentos científicos e criação de remédios – 28/08/2026 – Tec

A Anthropic está lançando um sistema de pesquisa que permite a seu software controlar dispositivos científicos e de engenharia para realizar experimentos, marcando a estreia de sua primeira ferramenta projetada para operar no mundo físico.

O avanço ocorre no momento em que a criadora do chatbot Claude busca ampliar seus negócios com clientes corporativos e aumentar a receita com novas aplicações na indústria, na robótica e no setor farmacêutico, antes da planejada IPO (oferta pública inicial de ações), que poderá avaliar a empresa em US$ 2 trilhões (R$ 10,33 trilhões).

A ferramenta chamada Model Hardware Standard permite que agentes de IA operem de forma autônoma uma ampla variedade de dispositivos programáveis por meio de código, desde microscópios complexos a manipuladores de líquidos, lasers e braços robóticos.

“O salto conceitual aqui é passar de agentes Claude trabalhando no mundo digital —com análise, geração de hipóteses…— para a realização de experimentos no mundo físico, no laboratório”, afirmou Jonah Cool, responsável por parcerias e implementação na área científica da Anthropic.

Microscópios avançados, por exemplo, podem ser compostos por centenas de espelhos, motores e lasers, normalmente operados por engenheiros especializados. “Agora, Claude consegue se comunicar diretamente com cada um desses espelhos e controlá-los”, declarou Cool.

A Anthropic vem testando a tecnologia com um pequeno grupo de laboratórios e fabricantes de equipamentos dos setores de biotecnologia, robótica e computação quântica, entre eles o Howard Hughes Medical Institute, a Carnegie Mellon University, a Genentech e a QuEra, empresa que está desenvolvendo computadores quânticos.

Os cientistas observaram os agentes de IA monitorando, ajustando e repetindo experimentos de maneira semelhante à de cientistas humanos.

Alek Kemeny, cientista da Anthropic, revelou ter observado Claude analisar tecido cerebral vivo pela primeira vez durante um experimento de neurociência e pediu ao sistema que localizasse o álveo, uma parte específica do cérebro da qual ele nunca havia ouvido falar.

“[Claude] conseguiu manipular com sucesso todos os diferentes espelhos e lasers para focalizar a parte correta do cérebro, e o neurocientista que estava ali disse: ‘Sim, é isso mesmo’”, relatou Kemeny.

A Anthropic afirma que pretende disponibilizar essa nova tecnologia como código aberto, mas somente depois de trabalhar para impedir que o sistema cometa erros não provocados.

Dario Amodei, CEO da Anthropic, afirmou que a sociedade tem pouca consciência dos riscos que a IA representa na área de biologia, em comparação com campos como a segurança cibernética. A Anthropic e outros desenvolvedores de IA alertaram que agentes mal-intencionados poderiam usar modelos para criar novas doenças ou armas biológicas.

Em junho, a Anthropic lançou o Claude Science, seu primeiro produto voltado especificamente para cientistas, com aplicações que incluem a renderização de estruturas tridimensionais de proteínas e a descoberta de medicamentos.

A IA tem se tornado cada vez mais importante para a pesquisa de medicamentos nas grandes empresas farmacêuticas. A Eli Lilly, dona da Mounjaro, firmou uma parceria com a Nvidia, fabricante de chips de IA, e, no início deste ano, investiu na Insilico Medicine, empresa voltada ao uso de IA na descoberta de medicamentos.

Enquanto isso, Demis Hassabis, fundador do Google DeepMind, deixou suas funções cotidianas para se concentrar na liderança de seu outro empreendimento, a Isomorphic Labs, startup de desenvolvimento de medicamentos com IA.

Autor: Folha

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