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Você está lá fazendo seu check-up, pedido pelo médico, e aí, quando chegam os resultados, ele diz que você está com cristais na urina. E agora?
Primeiro, vamos entender como é formado esse cálculo renal, popularmente conhecido como pedra nos rins.
Uma comparação simples ajuda a elucidar esse tema: se você colocar uma quantidade muito grande de açúcar em um copo com água, chega um momento em que ele não se dissolve mais e se acumula no fundo, explica Saulo Couto, nefrologista do Hospital Infantil Darcy Vargas, gerido pelo Einstein Hospital Israelita.
O mesmo ocorre se você deixar a mistura parada por muito tempo. Na urina, quando há uma eliminação muito grande de certas substâncias e não há água suficiente para diluí-las, a tendência é que elas se cristalizem.
Não é hora de se desesperar. Se a pessoa estiver se hidratando bem e urinando adequadamente, esses cristais são eliminados rapidamente, de forma natural e sem dor.
Mas… se o cálculo não for eliminado, ele continua a atrair outros cristais, que vão se agregando e aumentando progressivamente de tamanho com o tempo.
Tem mais de um. Os cálculos renais não são todos iguais, têm diferentes tipos. São eles:
1. Oxalato de Cálcio: o mais comum, acontece justamente pela baixa ingestão de água.
2. Fosfato de Cálcio: associado ao consumo exagerado de sal.
Não é porque tem cálcio no nome que se deve parar de comer alimentos com cálcio, como leite e queijo, alerta Couto. O cálcio ingerido na alimentação se liga ao oxalato no intestino e ajuda a eliminá-lo, o que, na verdade, reduz o risco de formação de pedras.
3. Ácido Úrico: ligado ao consumo excessivo de proteína animal na dieta.
4. Estruvita: formado em decorrência de infecções urinárias de repetição.
5. Cistina: caso mais raro, decorrente de uma alteração genética e hereditária.
Como saber? Os sintomas costumam aparecer quando a pedra se movimenta, cresce ou obstrui o trato urinário:
- A pessoa sente uma dor aguda localizada na região lombar (nas costas), que costuma vir em cólicas, na tentativa do corpo de expelir a pedra, explica a nefrologista Maria Aparecida Arroyo, vice-presidente regional da ABCDT (Associação Brasileira de Centros de Diálise e Transplante) em Mato Grosso do Sul.
- Também acontecem episódios de vômito e uma dor abdominal mais geral, que não necessariamente se concentra apenas nas costas.
- O xixi pode apresentar coloração avermelhada ou escura.
Se você apresentou esses sintomas, é hora de procurar um médico.
Um guia para entender os fatores que proporcionam o cálculo renal e como se prevenir:
- Baixa ingestão de líquidos: ao beber pouca água, a urina fica excessivamente concentrada, impedindo que os cristais sejam diluídos e eliminados de forma natural. Assim, eles se depositam e se acumulam até formar as pedras, explica Arroyo.
O ideal é consumir de 2,5 a 3 litros de água por dia, sendo o mínimo recomendado de 2 litros diários.
Cuidado com aquelas águas vendidas no mercado como águas com gás que contêm em sua fórmula açúcar e sódio, essas devem ser evitadas, pois são consideradas como refrigerantes, alerta Couto.
A hidratação deve ser redobrada durante atividades físicas: quem se exercita e sua muito, mas não repõe os líquidos perdidos, deixa a urina muito concentrada.
Evite o consumo de bebidas alcoólicas achando que elas ajudam na hidratação só porque fazem você sentir mais vontade de ir ao banheiro, pois o álcool não interfere positivamente na prevenção, diz Arroyo.
- Fatores genéticos: caso tenha familiares que já tiveram pedra nos rins, isso aumenta a predisposição de você desenvolver a doença.
Se você teve uma vez, precisa redobrar o cuidado, porque também pode acontecer de novo, por isso a investigação médica é essencial.
Couto aponta que uma pessoa que já teve uma pedra nos rins pode desenvolver um novo cálculo renal em um período de 5 a 10 anos.
- Excesso de sal (sódio): o alto consumo de sal, presente em alimentos industrializados e ultraprocessados, é o principal responsável pela formação de cálculos de cálcio.
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Autor: Folha








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