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Félix Lebrun: sei que é difícil para os fãs de Calderano – 22/07/2026 – Esporte

Na última edição de Roland Garros, a TV focou uma dupla no público que o narrador brasileiro não soube identificar de cara. Depois, com ajuda, disse que as presenças eram de Félix e Alexis Lebrun, medalhistas olímpicos em Paris-2024 no tênis de mesa.

Pouco conhecidos por quem não acompanha a modalidade, os Lebrun viraram um fenômeno na França na época das Olimpíadas. Félix, 19, dono de dois bronzes, tornou-se o atleta mais novo na história do esporte a conquistar uma medalha no masculino —tinha 17 anos quando venceu. Chegou ao pódio junto ao irmão, na disputa por equipes, e também ficou na terceira posição no individual, ao superar Hugo Calderano.

Alexis caiu na chave de simples justamente para o brasileiro, mas foi peça importante para o time francês conquistar sua primeira medalha por equipes no esporte em Jogos Olímpicos. Com os resultados, vieram convites para anúncios —de carro, de banco, de TV—, eventos com o presidente Emmanuel Macron e até a publicação de um gibi que conta a trajetória da dupla, filhos e sobrinhos de ex-mesa-tenistas profissionais.

No Brasil, Félix ficou conhecido como o “francês que derrotou Calderano” e, depois, com a atenção que o tênis de mesa recebeu devido à performance histórica do brasileiro, um nome que com frequência aparece nas finais de torneios do circuito, exibidos por aqui no SporTV e na cada vez mais conhecida CazéTV.

“Sei que foi difícil para os brasileiros, mas joguei o meu melhor e tenho orgulho do que conquistei”, afirma Félix à Folha sobre a partida em que ganhou o bronze. “Hugo e eu treinamos juntos de vez em quando, ele fala francês muito bem, e é sempre agradável conversar com ele.” Em oito duelos, o francês venceu cinco.

Além do desempenho, os Lebrun são famosos pelo temperamento, uma característica do jogo de ambos e fonte de cartões amarelos por reações fervorosas após erros que cometem. Félix diz que a postura é uma faca de dois gumes: faz com que jogue em seu melhor nível e por vezes também provoca imprecisões.

Alexis, num episódio extremo, deu socos na mesa após perder a final do campeonato francês para Félix e lesionou a mão, o que o tirou do Mundial de 2025. “Claro que isso me marcou”, diz Alexis à Folha. “Sempre terei o temperamento forte, mas ali entendi que nenhum momento de raiva deve pôr meu corpo em perigo.”

Alexis, 22, está no Brasil para o torneio do WTT (World Table Tennis) em São José dos Campos, no interior de SP, cuja chave principal começa a ser disputada nesta quinta (23). Atual número 11 do ranking mundial, o francês sempre faz bons jogos, mas vacila em momentos decisivos e soma só uma taça no circuito. No início do mês, atropelou o chinês ex-número 1 Lin Shidong no US Smash, um dos Grand Slams do tênis de mesa, e foi eliminado na partida seguinte, de virada, depois de abrir 2 a 0. O adversário? Félix Lebrun.

No retrospecto dos 11 confrontos entre eles, o irmão mais velho está à frente, mas nos últimos seis jogos Alexis só venceu um, o que mostra a força do caçula, hoje número 4 do mundo. “Antes, eu era mais forte e mais completo”, diz Alexis. “E agora ele é um dos melhores do mundo, e prova isso torneio após torneio.”

Não é a primeira vez que Alexis vem ao país. Em 2022, jogou um amistoso no Rio de Janeiro, onde encarou Calderano, um rival que, em cinco partidas oficiais, ele nunca venceu. O francês diz se recordar da força da torcida local, que criou uma “atmosfera maluca” mesmo em um evento de exibição, e destaca o fato de ter feito um bom confronto contra o brasileiro em um momento em que ele surgia no cenário internacional.

Em São José dos Campos, o francês pode enfrentar outros rivais de peso além de Calderano. Neste ano, o torneio da WTT no Brasil reunirá mais atletas que figuram no top 20 do ranking, como o japonês Shunsuke Togami (#14), o esloveno Darko Jorgic (#16) e os alemães Benedikt Duda (#17) e Patrick Franziska (#19).

Calderano é o grande favorito, também porque jogará em casa. Em meio a uma fase instável, com quedas seguidas em torneios, o brasileiro deve usar a torcida local de combustível para se recuperar no ranking —depois de muito tempo entre os cinco melhores do mundo, o brasileiro atualmente ocupa a oitava posição.

“Recebo uma energia muito positiva da torcida, e isso ajuda nos momentos mais difíceis dos jogos. Busco transformar essa expectativa em motivação”, diz Calderano. Além da disputa no individual, ele também vai atuar nas duplas mistas, com Bruna Takahashi. Assim como o namorado, a mesa-tenista disputará a chave de simples e celebra o fato de jogar com apoio local. “Parece que tem um batalhão comigo.”

A torcida em São José, claro, quer ver os brasileiros vencendo, mas essa é também uma oportunidade de ver atletas como Alexis de perto. Um showman, ele é conhecido por defesas improváveis longe da mesa e, quando o adversário menos espera, volta a se aproximar no contra-ataque com golpes muito agressivos.

Em dezembro, uma pesquisa realizada pelo canal de TV TF1, o mais popular da França, colocou os Lebrun como a 39ª personalidade mais conhecida do país, logo atrás de Mbappé, que dispensa apostos. Ninguém espera que Alexis saia do Brasil tão conhecido quanto Vinicius Jr., mas ele pode surpreender muita gente.

Autor: Folha

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