Crítica | RJ
Lareira Original
R. Maj. Ávila, 185, Tijuca, Rio de Janeiro. @lareiraoriginal
Três estrelas (Bom)
Fiz uma conta de cabeça. De uns dois anos para cá, cerca de quatro novos restaurantes ou bares abriram, em média, a cada semana no Rio de Janeiro. A maioria deles fica em shoppings ou na área mais turística da cidade — Ipanema, Leblon, Copacabana e Botafogo.
É uma boa notícia. Tantas novidades, porém, reforçam a importância afetiva, gastronômica e cultural dos restaurantes de bairro, aqueles frequentados há décadas por vizinhos e moradores, com cardápio quase imutável e serviço atencioso. É o caso do Lareira Original.

Filé à Don Ramiro, com creme de dois queijos e alho frito; brócolis ao alho, batatas portuguesas e arroz do Lareira Original
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Reprodução/Instagram @lareiraoriginal
A churrascaria fica em uma movimentada esquina da Tijuca, na zona norte, a 15 minutos a pé do estádio do Maracanã. Há mais de meio século ela tem como especialidade boas carnes na brasa e as outrora prosaicas batatas fritas descascadas e cortadas à mão.
Servidas em generosas porções (R$ 41) ou como acompanhamento de pratos principais, elas vêm em cortes à portuguesa, em palito e em bastão. Todas excelentes.
Para não ter erro, chegam à mesa sem sal, cada um que bote a quantidade que quiser. Isso está no cardápio. Bem explicadinho, ele nos informa também que o molho à campanha (vinagrete) segue receita antiga e é feito com tomates e cebolas, nada além.
Azeite e vinagre são trazidos à parte e, mais uma vez, o cliente regula a versão final. Achei curioso.
Meu início no Lareira não foi promissor. Comecei com a linguiça de pernil (R$ 12) e ela estava esturricada. Me senti sem saída, já que não tinha lido o cardápio com atenção, e o molho à campanha estava sem o caldo que umedeceria o embutido. Então solicitei que trouxessem o vinagre e o azeite (eles vêm on demand).
Segui pedindo um dos hits da casa: o filé-mignon à Don Ramiro (R$ 322), que dá para três ou quatro pessoas. Importante dizer que tudo é hiperlativo no Lareira Original. Tudo é grande, não há moderação nos pratos deste restaurante com identidade próxima à das antigas galeterias e churrascarias cariocas: TV gigante ligada na Globo, guardanapos de papel, travessas de inox, menu com capa acolchoada. Sentiu a pegada?
Pois bem. O filé à Don Ramiro, no ponto certo e com gostinho de brasa, tem como atrativo o molho de dois queijos (muçarela e parmesão) com alho frito. A consistência do molho vem do toque de creme de leite adicionado aos queijos. É saboroso, equilibrado e ótimo para quem não se preocupa com calorias em demasia.
Ouvi muitos elogios à guarnição à francesa (R$ 69) e ela correspondeu à expectativa. Cebolas translúcidas em meio a ervilhas consistentes, presunto de boa qualidade e muitas batatas palito. Vale por uma refeição e, se houvesse um ranking, o acompanhamento estaria pau a pau com o servido no centenário Lamas, considerado o melhor da cidade.
Já a sobremesa decepcionou. A taça de churros com doce de leite (R$ 39) deixou um leve amargor na boca, apesar de ser excessivamente adoçada. Massa molenga, sem nenhuma crocância. Vivendo e aprendendo.
Autor: Folha








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