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Leggero, do grupo Fasano, aposta em sabores sem excessos – 07/10/2026 – Restaurantes


São Paulo


O imóvel onde fica o Leggero, novo restaurante do Grupo Fasano que abre as portas no dia 14 de outubro, precisava ser ocupado. Mas o restaurateur Gero Fasano não queria replicar ali nenhum outro negócio dentro do seu guarda-chuva. “Pensei: o Gero já é tão copiado, não vou eu mesmo me copiar”, brinca.

O empresário, à frente de hotéis e restaurantes em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Punta del Este e Nova York, decidiu, então, desenvolver um conceito para ocupar o espaço instalado em uma esquina discreta ao lado do Fasano Itaim Bibi. A vocação já vem indicada no próprio nome da casa: Leggero, que significa leve em italiano.

Carpaccio de beterraba com queijo de cabra do restaurante Legero

Carpaccio de beterraba com queijo de cabra do restaurante Leggero

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Daniel Pinheiro/Divulgação Leggero

A proposta é oferecer uma cozinha que não pesa, com receitas desenvolvidas especialmente para o cardápio servido ali, sem nada que figure nos demais restaurantes do grupo. A ideia de comer bem, mas sem excessos, se aproxima daquilo que o próprio Gero pratica em seu dia a dia.

A seção dedicada aos carpaccios é um bom caminho para entender a essência da casa. As composições, de textura e combinação de ingredientes precisas, seguem uma filosofia posta em prática em todo grupo Fasano —de uma comida atraente, mas reconhecível. “Receita com muito mais do que cinco ingredientes bom não é”, costuma dizer o restaurateur.

Entre as oito possibilidades, há um carpaccio de beterraba assada e laminada com minialcaparras, com queijo de cabra e semente de girassol. As lâminas de atum com laranja e limão-siciliano estão entre as opções feitas com proteína, assim como a de polvo com pepino e azeitona taggiasche, da região italiana da Ligúria. Ganha evidência também o carpaccio de carne curada com maionese de limão, rúcula selvagem e parmesão.

Salão de restaurante com várias mesas cobertas por toalhas brancas, cada uma posta com pratos, copos e talheres. Cadeiras de madeira com estofado marrom cercam as mesas. Paredes decoradas com pôsteres de filmes antigos e iluminação por luminárias pendentes com luz amarela quente.

Salão do Leggero, novo restaurante do grupo Fasano

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Daniel Pinheiro/Divulgação Leggero

Pode parecer um mero detalhe técnico, mas não é: muitos dos vegetais listados na parte inicial do cardápio, chamada le verdure, passam pelo forno Josper, aparelho de ponta que conjuga grelha e forno a carvão —e que normalmente é usado em carnes. Por ele passam, por exemplo, a alface romana grelhada com creme de milho e a erva-doce com mostarda de Dijon, salsa de avelã, tomate rama e chia.

Os vegetais não são apenas estrelas de receitas, mas também responsáveis por dar personalidade a muitos dos molhos que acompanham os pratos principais —o scaloppine de filé-mignon, por exemplo, leva alho-poró na composição. Na divisão de massas frescas, está a pasta toscana com creme de alcachofra, camarões e tomate.

Isso, explica o chef Lomanto Oliveira, é o que garante sabor e ao mesmo tempo leveza. Com quase 25 anos no grupo, ele é chef-executivo do vizinho hotel Fasano Itaim e responsável pela direção gastronômica do Leggero. O dia a dia da cozinha é tocado pela chef Carolina Marques.

Mesmo molhos que tradicionalmente têm mais densidade foram repensados para ficarem mais leves. É o caso do bechamel que acompanha a lasanheta com batata, vagem, pesto e pinoli. Na casa, o molho branco clássico da cozinha francesa leva uma quantidade reduzida de farinha e de manteiga na composição.

Também entre as sobremesas há espaço para conter excessos. Os sorvetes são todos batidos na hora e levam menor quantidade de açúcar. Eles aparecem na sfogliatine di mele, uma massa folhada com maçã cozida, raspas de laranja e sorvete de baunilha, e no gelato alla piemontese, um sorvete de nata com zabaion e marsala, entre outras opções.

Mas nem só de boa comida vive um restaurante. “A algumas conclusões eu já cheguei na vida”, diz Gero Fasano. “Comida boa é obrigatório. Mas sem ambiente e serviço as pessoas não voltam.”

Assim como no cardápio, a decoração e a trilha sonora são reflexo da trajetória de Gero. Quem entra no salão, que mantém a mesma identidade do arquiteto Isay Weinfeld com ar mais descontraído, vê uma série de cartazes de filmes em italiano, resquício da época em que o empresário estudou cinema em Londres.

Há pôsteres originais de clássicos como “Amarcord”, de Federico Fellini; “Último Tango em Paris”, dirigido por Bernardo Bertolucci, e “O Poderoso Chefão”, de Francis Ford Coppola.

Saiba mais sobre o Fasano

Na parede oposta, estão dispostos discos de vinil da coleção do restaurateur. Eles indicam outra vocação da casa: o Leggero tem também um cardápio musical. Dentro de uma seleção feita por Gero com o jornalista Arthur Dapieve, o cliente pode escolher sua música entre 370 títulos.


No menu diverso, com jazz e bossa nova, o rock está bem representado. Há seis composições da banda The Clash e nove de David Bowie, entre elas “Absolute Begginers”, trilha sonora de um filme de mesmo nome em que um fotógrafo tenta fazer a vida na Londres dos anos 1960.

A mesma cidade onde Gero, mais tarde, aspirava a se tornar cineasta —para, décadas depois, se tornar o restaurateur que nunca deixou por completo a sétima arte.

Leggero

R. Anacetuba, 71, Itaim Bibi, região sul. Tel. (11) 3613 7479. Seg. a qui., das 12h às 15h e das 19h à h. Sex. e sáb., das 12h às 17h e das 19h à 1h.

Autor: Folha

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