CRÍTICA | RJ
Satyricon
R. Barão da Torre, 192, Ipanema, Rio de Janeiro. @restaurante_satyricon
Cinco estrelas (ótimo)
Sofisticado. Caro. Com os melhores e mais frescos frutos do mar servidos no Rio. Esses são alguns dos comentários sobre o Satyricon feitos no boca a boca há décadas pelos cariocas. Uma reputação construída bem antes de as resenhas (publis ou espontâneas) existirem na internet.
Logo na porta há um aviso sobre o dress code: proibido trajes de banho. Ou seja, nada de ir direto da praia. O ambiente é sóbrio e, antes de adentrar o salão, o comensal já tem ideia do que está por vir ao passar por um balcão com ostras e reluzentes pescados repousados sobre o gelo.
Há também um aquário de água salgada que em outros tempos acolhia lagostas e peixes à espera do abate —o cliente podia apontar o dedo e dizer: “Quero esse”. Ele estava desativado no dia em que fui, e o garçom me pareceu incomodado quando perguntei o motivo. Apenas informou que não o utilizam mais assim.
O Satyricon aposta em crudos antes de virar moda, e é do balcão que saem os pedidos de carpaccios, tartares, e também de boa parte dos pratos quentes, como o pargo inteiro assado num iglu de sal grosso alçado à fama por Madonna em uma de suas visitas.
É uma receita simples, com perfil mediterrâneo, como quase tudo na casa. Quem vai ao Satyricon parece buscar exatamente isso: o frescor e o respeito ao sabor de cada ingrediente, sem exageros, além de pratos clássicos.
De principal escolhi o cherne grelhado à belle meunière (R$ 210), com o molho sedoso de manteiga e vinho, alcaparras, shiitake e camarões. Que peixe. Consistente e perfumado, vem com arroz de limão e batatas fritas.
As entradas, excelentes, me deixaram quase saciada, por isso optei pelo cherne, mais leve do que uma massa. Cheguei a cogitar o espaguete com ovas de ouriço (R$ 232), difícil de encontrar, e também o espaguete ao vôngole (R$ 178), obsessão minha. Mas seria demais.
O meu almoço teve início com o carpaccio trimare (R$ 298): pargo, atum, salmão e robalo, crus e finamente fatiados, regados com molho à base de azeite, além de um delicado tartare de salmão e uma porção de guacamole que poderia vir mais temperada.
Os peixes estavam impecáveis. A fama do Satyricon — que tem cozinha comandada pelo discreto Raphael Marques, a antítese do chef celebridade — , não é à toa.
O único senão fica por um detalhe nem tão pequeno assim: as torradas. O garçom não me confirmou (o cara não abre o jogo), mas me pareceram industrializadas, duras e secas. O restaurante deveria oferecê-las mais caprichadas. Até porque nada é barato.
No entanto, analisando sob um certo ângulo, também não é caríssimo. O robalo inteiro ao forno com batatinhas sai a R$ 268; pelo pargo da Madonna são cobrados R$ 187.
O Satyricon é isso tudo mesmo o que falam por aí. Imagino que o ultrapremiado chef espanhol Ferran Adrià, do extinto El Bulli, concorde comigo. Ele esteve no Rio no auge da carreira e jantou por três noites seguidas por lá.
Provou praticamente todos os pratos e presenteou a casa com seu livro. Na dedicatória, escreveu sobre a “amizade gastronômica” com o restaurante, que faz sucesso há mais de 40 anos sem mudar sua essência.
Autor: Folha









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