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Lilly processa 6 empresas nos EUA por venda de retatrutida – 12/08/2026 – Equilíbrio e Saúde

A farmacêutica americana Eli Lilly, fabricante do Mounjaro, abriu seis novos processos judiciais contra empresas dos Estados Unidos por venda ilegal de retatrutida, molécula ainda em fase de pesquisas para tratamentos de obesidade e diabetes tipo 2. A informação foi divulgada nesta quarta-feira (12) pela empresa.

Segundo a Lilly, as ações miram farmácias de manipulação, clínicas de estética, spas médicos e vendedores online que comercializam o produto alegando que ele seria destinado “apenas para uso em pesquisa” quando, na prática seria vendido para consumo humano.

Diferentemente da semaglutida e da tirzepatida, que atuam em um ou dois receptores hormonais, a retatrutida é um agonista triplo. Ela ativa os receptores dos hormônios GLP-1, GIP e glucagon, envolvidos na regulação da fome, da saciedade, da produção de insulina e do gasto energético.

Nenhum órgão regulador do mundo aprovou até agora medicamentos com retatrutida. A Eli Lilly planeja submeter um pedido de licença de produto biológico para retatrutida à FDA (a Anvisa dos EUA) no 1º trimestre de 2027.

“A retatrutida está sendo estudada rigorosamente como parte de um amplo programa de desenvolvimento de ensaios clínicos”, disse David Hyman, diretor médico da Lilly.

“Levamos a sério a responsabilidade de avaliar a segurança e a eficácia de nossos medicamentos em investigação. O que está sendo vendido no mercado clandestino não é um medicamento, é algo totalmente não verificado, não aprovado e que não vale o risco.”

A companhia afirma ter denunciado mais de 200 pessoas e entidades ao FDA, ao Departamento de Justiça dos Estados Unidos, a procuradores estaduais, a autoridades policiais e a conselhos profissionais. Diz também ter notificado plataformas digitais sobre mais de 14 mil sites, anúncios e publicações que comercializariam o produto ilegalmente em mais de cem países.

Na nota, a Lilly também reforçou o chamado para que plataformas digitais, empresas de pagamento, transportadoras e autoridades atuem contra esse mercado.

O interesse por retatrutida cresceu à medida que dados preliminares de eficácia sugeriram perda de peso superior à de medicamentos já aprovados.

Dois estudos de fase 3 apresentados pela Lilly em julho ampliaram os dados sobre a retatrutida.

O estudo TRIUMPH-3 avaliou 1.949 adultos com obesidade grave e doença cardiovascular estabelecida, com ou sem diabetes tipo 2.

Após um ano e oito meses, participantes tratados com retatrutida perderam, em média, 23,9 kg, o equivalente a 21,6% do peso corporal, na dose de 9 mg. Na dose de 12 mg, a perda foi de 25,3 kg (22,6%). O grupo placebo apresentou redução média de 3,5 kg (3,2%).

Já o estudo TRIUMPH-2 incluiu 1.152 adultos com obesidade ou sobrepeso e diabetes tipo 2, uma população com maiores dificuldades para perder peso.

Na dose de 4 mg, os participantes perderam, em média, 13,5 kg, o equivalente a 12,7% do peso corporal. Com 9 mg, a perda média foi de 20,6 kg (19,1%). Já a dose de 12 mg levou a uma redução média de 22,5 kg, correspondente a 20,8% do peso inicial. No grupo placebo, a perda foi de 4,2 kg (4%).

Apesar de o medicamento estar em caráter experimental e, portanto, oficialmente não existir no mercado, tornaram-se comuns apreensões de canetas emagrecedoras anunciadas como retatrutida. Os casos ocorrem no lado brasileiro da fronteira com o Paraguai.

Embalagens apreendidas em Foz do Iguaçu e vistas pela Folha na sede da Receita Federal indicam a Alemanha ou mesmo o Paraguai como países de procedência da substância vendida como retatrutida. Os fiscais afirmam, porém, que o local real de produção é incerto.

A Lilly do Brasil, em comunicado à Folha, afirma que a retatrutida está legalmente disponível apenas para os participantes dos ensaios clínicos.

“Qualquer coisa vendida aos consumidores fora desses testes é ilegal, sem forma de verificar a sua segurança, pureza ou dosagem. Tomar substâncias não regulamentadas representa sérios riscos para a saúde, e a Lilly continua a trabalhar com autoridades policiais e reguladoras para combater as drogas do mercado negro”, afirma a farmacêutica.

Autor: Folha

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