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Litoral do Paraná se prepara para chuvas acima da média

Os municípios do litoral do Paraná intensificaram ações preventivas diante da previsão de chuvas acima da média no segundo semestre. As medidas incluem obras de drenagem, limpeza de canais, atualização de planos de contingência e realização de simulados para situações de emergência.

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A mobilização ocorre após alertas meteorológicos sobre os possíveis efeitos do fenômeno climático El Niño na região Sul. No litoral paranaense, as autoridades monitoram riscos de alagamentos, inundações e deslizamentos de terra, principalmente em áreas com mais vulnerabilidade e histórico de ocorrências.

Segundo o capitão Dhieyson Weslen Budernik, do Núcleo de Atuação Regional (NAR) da Defesa Civil estadual, o trabalho desenvolvido nos últimos meses tem como foco preparar os municípios antes da chegada do período mais crítico de chuvas. “O litoral tem uma dinâmica própria. Além da chuva, existe a influência das marés, a questão do escoamento da água e áreas com histórico de deslizamentos. Por isso, o trabalho precisa ser feito antes. Quando a chuva chega, já não há tempo para planejamento”, aponta ele.

De acordo com o capitão da Defesa Civil, o litoral possui 158 áreas de atenção relacionadas a riscos de inundação, alagamento e deslizamento. “Não é mais uma questão de saber se vai chover, mas quando vai começar a chover. Se os municípios estiverem preparados agora, com áreas mapeadas, equipamentos disponíveis e equipes capacitadas, a resposta será muito mais rápida e os impactos tendem a ser menores”, avalia.

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Histórico de enchentes e deslizamentos reforça prevenção no litoral

A região litorânea do Paraná carrega um histórico de eventos climáticos que deixaram marcas profundas na população e na infraestrutura. Um dos episódios mais emblemáticos ocorreu em março de 2011, quando um alto volume de chuva atingiu principalmente Morretes, Antonina e Paranaguá.

As precipitações provocaram enchentes, deslizamentos de terra, interrupção de rodovias, isolamento de comunidades e afetaram mais de 10 mil pessoas. Em Morretes, a força das águas destruiu uma ponte na BR-277, comprometendo uma das principais ligações entre Curitiba e o litoral.

A força das chuvas de 2011 derrubou uma ponte na BR-277 e isolou parte do litoral paranaense.
A força das chuvas de 2011 derrubou uma ponte na BR-277 e isolou parte do litoral paranaense. (Foto: Orlando Kissner/Governo do Paraná)

Em 2022, deslizamentos de terra atingiram as rodovias que ligam Curitiba ao litoral e a Santa Catarina. Na BR-376, em Guaratuba, o deslizamento de uma encosta provocou a interdição total da rodovia e deixou vítimas. Na BR-277, novos deslizamentos na Serra do Mar causaram bloqueios que se estenderam por semanas, afetando o transporte de cargas, o abastecimento e a circulação de moradores e turistas.

Já em janeiro de 2024, fortes precipitações provocaram alagamentos, danos à infraestrutura e transtornos em diversos municípios. Matinhos registrou mais de 15 mil pessoas afetadas e cerca de mil residências atingidas. Em Pontal do Paraná, aproximadamente 3 mil moradores sofreram impactos das cheias. Guaratuba contabilizou 2,7 mil pessoas afetadas, além de famílias desalojadas e centenas de imóveis danificados.

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Guaratuba, Matinhos e Pontal reforçam prevenção contra enchentes

Em Guaratuba, a prefeitura concentra esforços na prevenção de alagamentos em áreas historicamente afetadas pelas chuvas. A principal intervenção ocorre no bairro Coroados, onde está sendo implantado um sistema de macrodrenagem com recursos estaduais. A obra prevê a construção de galerias para ampliar a capacidade de escoamento da água até o Rio Bacamarte.

Entre as ações em andamento divulgadas pela prefeitura de Matinhos estão a limpeza de canais, o desassoreamento de rios, a substituição e ampliação de manilhamentos e a manutenção dos sistemas de macro e micro drenagem. A prefeitura encaminhou à Câmara um projeto para criação do Fundo Municipal de Proteção e Defesa Civil, mecanismo que permitirá acesso a recursos estaduais e federais destinados ao enfrentamento de desastres.

Simulados de evacuação preparam moradores e equipes de emergência para situações de enchentes e deslizamentos no litoral do Paraná.Simulados de evacuação preparam moradores e equipes de emergência para situações de enchentes e deslizamentos no litoral do Paraná. (Foto: Arnaldo Alves/Governo do Paraná)

Em Pontal do Paraná, o foco é a manutenção da capacidade de drenagem da cidade. O município realiza a limpeza e o desassoreamento de mais de 20 quilômetros de canais pluviais em parceria com o Instituto Água e Terra (IAT). Áreas consideradas estratégicas para o escoamento das águas, como o entorno do Rio Peri e do Canal do Marissol, são monitoramento periodicamente.

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Morretes, Antonina e Paranaguá reforçam monitoramento de áreas de risco

Em Morretes foram mapeadas 24 áreas de atenção ou risco. Entre as medidas adotadas estão o desassoreamento de rios, melhorias em canais de drenagem e intervenções em bairros como a Vila das Palmeiras, onde foi realizada a abertura de um canal para ampliar o escoamento das águas. Neste ano, houve um grande simulado de evacuação no bairro Floresta, em referência aos deslizamentos e enchentes registrados em 2011.

Na cidade vizinha de Antonina, em maio, o município fez um simulado de evacuação no bairro do Jagatá. A atividade teve como objetivo testar protocolos e fortalecer a integração entre os órgãos responsáveis pelo atendimento à população em emergências.

Além disso, a prefeitura vem executando serviços de desassoreamento de rios, limpeza de canaletas, manutenção de estradas rurais e melhorias nos sistemas de drenagem para reduzir os riscos associados ao aumento das chuvas.

Em Paranaguá o município intensificou ações de manutenção e limpeza de canais, rios e sistemas de drenagem, além de reforçar o monitoramento de áreas consideradas vulneráveis. O foco está na atualização do plano de contingência, no monitoramento das áreas vulneráveis e na integração entre as secretarias municipais para ampliar a capacidade de resposta do município.

Autor: Gazeta do Povo

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