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Os orgulhosos cervejeiros de Milwaukee – 05/11/2026 – Copo Cheio

Nenhum cervejeiro no mundo deve estar mais feliz e orgulhoso atualmente do que a turma lupulada de Milwaukee, cidade mais populosa de Wisconsin, nos EUA —e não há aqui nenhuma relação com o resultado das eleições de meio de mandato, na qual, por acaso, o estado escolheu senador e governador do Partido Democrata.

A alegria local foi causada pelo Milwaukee Brewers (os cervejeiros de Milwaukee, na tradução), o time local de beisebol, que se sagrou pela primeira vez campeão da MLB, a liga americana. E como o mundo gira em torno do umbigo americano, os vencedores por lá são chamados de campeões mundiais mesmo (a final do beisebol se chama World Series).

O título dos coleguinhas americanos fez este humilde escriba pensar na relação de cervejas com times profissionais de futebol. Afinal, precisa de um certo grau de comprometimento para carregar a cerveja no nome de batismo, ainda mais nos dias atuais —não é difícil chegar alguma petição de um grupo radical pedindo a mudança do nome da equipe para Milwaukee Zero Brewers, ou Milwaukee Proteins.

Uma das principais ligações cerveja/esporte vem do vizinho peruano Sporting Cristal. Reza a lenda que o time surgiu quando empresários compraram a cervejaria local em Lima, Backus and Johnston, que tinha um time ligado à fábrica.

Apaixonado por futebol, o novo casal de acionistas-proprietários —Richard Bentín Mujica e sua esposa Esther Grande de Bentín— aproveitou a estrutura do time e fundou o Sporting Cristal, incluindo o nome Cristal, que era o principal rótulo da cervejaria.

Por anos, a Cristal (que hoje está na aba do grande pai AB Inbev) foi a principal patrocinadora do clube. Atualmente, como acontece em vários cantos do mundo, a camisa tem o nome de uma bet. No entanto, o apelido do time se mantém intacto, Los Cerveceros.

Dizem também que o Borussia Dortmund, na Alemanha, foi assim batizado em 1909 como uma homenagem à cerveja local, Borussia —termo em latim para Prússia. E Dortmund foi um dos principais produtores de cerveja durante parte do século 20, para orgulho dos locais.

E obviamente tinha que ter alguma história com um time da Inglaterra, país da maior seriedade quando se fala em futebol e cerveja. Conta a história de boteco, ou de pub, que em Liverpool, no final do século 19, o simpático John Houlding era o dono do estádio de Anfield, que abrigava o Everton, e também da cervejaria local —que, obviamente, abastecia o local do jogo.

No entanto, ele se desentendeu com a diretoria do clube por conta do suposto alto aluguel que cobrava para jogarem no estádio e pela exclusividade da venda da sua cerveja no local. Assim, eles se separaram.

O Everton achou uma nova casa do outro lado do parque. Enquanto isso, Houlding reuniu seus aliados no pub Sandon (o qual também era dono) e resolveu fundar o Liverpool F.C. para ocupar o Anfield —mantendo a sua cerveja.

De volta a Milwaukee, a cidade é reconhecida nos Estados Unidos pela forte cena cervejeira. É de lá que vieram as famosas Miller e Pabst Blue Ribbon (que aparece com frequência nas gôndolas do Sam’s Club). Entre as artesanais, fazem sucesso a Lakefront Brewery e a Eagle Park Brewing Company, nenhuma encontrada por essas bandas.

Dizem que após a conquista dos cervejeiros de Milwaukee —que fechou a World Series contra o Tampa Bay Rays por 4 jogos a 1 na semana passada—, os fãs consumiram cerca de 250 mil litros na festa para recepcionar os campeões em um parque local (o jogo final tinha acontecido em Tampa).

Emocionado, o rebatedor Sal Frelick disse após a conquista que queria tomar uma cerveja com cada um dos 100 mil fãs da equipe. Se levar a ideia adiante, será uma longa pós-temporada para o jovem Salvatore.


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Autor: Folha

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