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Parkinson: revisão liga poluição do ar a maior risco – 03/10/2026 – Equilíbrio e Saúde

A exposição à poluição a longo prazo está associada a um aumento do risco de desenvolver Parkinson, mostra uma nova revisão de estudos feita pela Universidade de Cambridge e publicada no Environment International. Segundo os autores, trata-se da maior pesquisa do tipo, reunindo 42 trabalhos.

O Parkinson é uma doença neurodegenerativa progressiva que afeta principalmente os movimentos, podendo causar tremor, rigidez muscular, lentidão e alterações no equilíbrio.

A doença está relacionada à perda de neurônios que produzem dopamina, um neurotransmissor envolvido no controle dos movimentos. Sua origem é complexa e envolve uma combinação de fatores genéticos e ambientais.

O resultado da análise revelou uma relação entre maior exposição ao chamado material particulado (PM2.5) e um aumento entre 10% e 18% na incidência da doença.

O PM2.5 é formado por partículas muito pequenas, com diâmetro de até 2,5 micrômetros, capazes de penetrar profundamente nos pulmões. As partículas são encontradas no ar — como poeira, fuligem e fumo, entre outros — e podem ser produzidas por veículos, indústrias, incêndios etc.

A suspeita desse elo é antiga: o Parkinson foi descrito em 1817, na Inglaterra, e começou a ser estudado na época da Revolução Industrial. Na década de 1950, os casos aumentaram justamente em países mais industrializados, como os Estados Unidos.

“As conclusões são relevantes por reforçarem o que já imaginamos que ocorre, pois em lugares com maior índice de poluição no ar, a incidência de Parkinson é maior”, diz o neurologista Rubens Cury, do Einstein Hospital Israelita. Mas ele enfatiza: o artigo não aponta uma relação de causa e efeito, trata-se apenas de uma associação.

O Parkinson também está associado a outros fatores, como agrotóxicos, solventes e fatores genéticos. Por ser uma doença multifatorial, nenhum desses elementos, isoladamente, é suficiente para explicar seu desenvolvimento. Fatores ambientais poderiam ter um papel tanto no início quanto na progressão da doença. “Mas isso não significa que quem está em região poluída vai ter a doença.”

E há boas razões para associar a poluição ao Parkinson: o material particulado inflama os pulmões e pode chegar à circulação, desencadeando uma resposta inflamatória no organismo.

“Há evidências de que a inflamação esteja presente já no início da doença, o que poderia acelerar o depósito de uma proteína [alfa-sinucleína] em pessoas suscetíveis geneticamente. Mas é preciso haver uma predisposição, do contrário, a pessoa pode ficar anos exposta e não vai ter a doença”, frisa o especialista. Assim, entre pessoas predispostas, uma exposição mais prolongada à poluição poderia contribuir para elevar o risco.

Os cientistas ressaltam que esse tipo de achado é importante para elucidar fatores de risco modificáveis, já que não é possível prevenir o Parkinson. “Mas é possível reduzir o risco por meio do estilo de vida“, diz Cury.

Entre os fatores que podem contribuir para a redução desse risco estão a prática de atividade física aeróbica de moderada a alta intensidade e a adoção de uma alimentação baseada na dieta mediterrânea, focada em vegetais, legumes, oleaginosas, azeite de oliva, frutas vermelhas e frutas cítricas com flavonoides. Por outro lado, sabe-se que trauma craniano, exposição a certos pesticidas e diabetes tipo 2 aumentam esse risco.

Autor: Folha

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