Milhares de estudantes, professores e funcionários de universidades foram às ruas de Buenos Aires, na Argentina, nesta quinta-feira (15), para cobrar do governo do presidente argentino Javier Milei mais recursos para o ensino superior público. A manifestação terminou em confrontos diante do Congresso argentino, onde a polícia usou gás lacrimogêneo e jatos de água para dispersar grupos que atiravam pedras e depredavam estruturas. Houve feridos.
A mobilização, chamada de “Quinta Marcha Federal Universitária”, reuniu instituições de ensino, sindicatos e organizações estudantis que exigem o cumprimento da Lei de Financiamento Universitário, aprovada pelo Congresso em 2025. A legislação prevê recursos para universidades, salários de professores e bolsas de estudo, mas sua aplicação continua sendo contestada pelo governo Milei. A disputa já chegou à Justiça, que determinou a implementação de dispositivos da lei. O governo argentino argumenta que a lei aumenta os gastos públicos sem indicar de onde virão os recursos necessários e que sua aplicação comprometeria o equilíbrio fiscal.
Os protestos na Argentina são parte de uma série de manifestações relacionadas à educação que atingiram diferentes países nas últimas semanas. Na Europa, estudantes ocuparam escolas, bloquearam ruas e entraram em confronto com policiais. Os movimentos apresentam reivindicações diferentes, que vão desde o aumento dos custos para estudar até a falta de professores e os cortes de recursos públicos.
Na Albânia, os confrontos continuaram nesta quinta-feira (15), pelo terceiro dia consecutivo. Milhares de manifestantes liderados por estudantes enfrentaram policiais em Tirana, capital do país. Houve incêndios, depredações e ataques a prédios. Na quarta-feira (14), um incêndio atingiu o Ministério da Educação. Policiais tiveram que usar gás lacrimogêneo e canhões de água para dispersar os manifestantes.
Os estudantes albaneses reclamam dos custos da educação, das condições das universidades e de suspeitas de corrupção no governo. Os atos também incorporaram críticas a um empreendimento turístico no sul do país e passaram a exigir a renúncia do primeiro-ministro Edi Rama. Nesta quinta, Rama rejeitou a possibilidade de deixar o cargo, mas afirmou que está disposto a discutir as reivindicações relacionadas à educação.
Na Itália, escolas foram ocupadas nesta quinta-feira (15), ampliando uma mobilização iniciada em Turim no começo deste mês. O movimento já chegou a cidades como Roma, Bolonha e Nápoles, onde estudantes impediram o funcionamento de instituições de ensino e organizaram contatos com colegas franceses. Eles criticam a falta de investimentos, as condições dos prédios escolares e o aumento do custo de vida.
O ministro italiano da Educação, Giuseppe Valditara, criticou as ocupações e afirmou que os problemas devem ser resolvidos por meio do diálogo. Uma greve estudantil nacional está prevista para esta sexta-feira (16).
Na Espanha, cerca de 25 mil pessoas, segundo a representação do governo central em Madri, participaram de uma manifestação na quarta-feira (14), primeiro dia de uma greve de professores da rede pública. Os profissionais cobram melhores salários, redução do número de alunos por turma e melhorias nas condições de trabalho. Estudantes também participaram dos atos. Na Universidade Complutense de Madri, uma intervenção policial terminou com cinco detidos e oito feridos, segundo o jornal El País.
Portugal também registrou uma manifestação nesta quarta-feira. Cerca de 200 estudantes se concentraram diante dos serviços de apoio social da Universidade do Porto para protestar contra o aumento previsto das mensalidades universitárias. Os participantes também reivindicaram mais bolsas de estudo e moradias estudantis.
França e Bélgica registraram confrontos e detenções
Na França, onde as mobilizações começaram no fim de setembro, estudantes realizaram na terça-feira (13) mais uma onda nacional de protestos. Segundo o Ministério do Interior francês, 161,5 mil pessoas participaram das manifestações em diferentes cidades do país. Os organizadores apresentaram uma estimativa maior, de 480 mil participantes.
Os protestos franceses começaram com reclamações sobre a falta de professores, as condições dos prédios escolares e as salas de aula superlotadas. O movimento ganhou apoio de sindicatos e também passou a questionar as regras de acesso às universidades. Em Paris, manifestantes incendiaram um carro e quebraram vidraças. A polícia usou gás lacrimogêneo e canhões de água durante os confrontos.
Nesta quinta-feira, o primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, alertou para o risco de novos episódios de violência durante as manifestações convocadas para sábado (17). Segundo ele, os atos já não apresentam apenas características de um movimento estudantil e passaram a incluir grupos envolvidos em violência urbana. O governo também acusa a extrema-esquerda de se aproveitar e alimentar os atos.

Na Bélgica, centenas de estudantes foram às ruas da cidade de Liège no dia 7 de outubro para protestar contra reformas educacionais, o aumento das taxas universitárias e a superlotação das salas de aula. Os atos provocaram incêndios, depredações e interrupções no transporte público. A imprensa local relatou 107 detenções nos dias anteriores à manifestação.
Parte dos estudantes belgas afirmou à agência Reuters que mantém contato com manifestantes franceses. Uma das participantes, Amelia Di Salve, de 19 anos, disse à agência britânica que os protestos na França ajudaram a incentivar a retomada das mobilizações em seu país.
Na América do Sul, além da Argentina, o Chile registrou uma grande manifestação estudantil em 1º de outubro. Mais de 20 mil pessoas participaram de uma marcha em Santiago contra os recursos destinados à educação no orçamento de 2027 apresentado pelo governo de José Antonio Kast. O ato teve confrontos e terminou com pelo menos 31 detenções. Mais recentemente, nesta quinta-feira, estudantes do Campus Oriente da Pontifícia Universidade Católica do Chile mantiveram uma paralisação acadêmica para protestar contra problemas nas instalações da universidade após fortes chuvas. Os estudantes também anunciaram adesão a uma manifestação contra cortes de recursos para a cultura promovidos pelo governo Kast.
Autor: Gazeta do Povo








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