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Tezspire reduz inflamação no esôfago após 52 semanas – 27/08/2026 – Equilíbrio e Saúde

A AstraZeneca informou nesta quinta-feira (27) que seu medicamento para asma Tezspire atingiu os principais objetivos de um estudo em estágio avançado com pacientes que sofrem de um distúrbio inflamatório crônico do esôfago. O resultado dá impulso à empresa após uma série de reveses em seu portfólio de medicamentos em desenvolvimento.

O Tezspire, desenvolvido com a Amgen, reduziu significativamente a inflamação do esôfago e aliviou a dificuldade para engolir em comparação com um placebo após 52 semanas em pacientes com esofagite eosinofílica, mostrou o estudo. A doença afeta mais de 470 mil pessoas nos Estados Unidos.

Vantagem do Tezspire

O Tezspire é um anticorpo monoclonal [proteínas produzidas em laboratório que imitam os anticorpos naturais do corpo para combater células doentes, vírus e bactérias] que atua no início da cascata inflamatória ao bloquear uma proteína conhecida como TSLP. A proteína pode desencadear inflamação em doenças associadas aos eosinófilos, um tipo de glóbulo branco, bem como na asma grave.

O principal pesquisador do estudo, Arjan Bredenoord, disse à Reuters que o intervalo de quatro semanas entre as doses do Tezspire confere ao medicamento uma vantagem sobre todas as terapias existentes.

Os tratamentos atuais incluem medicamentos que têm como alvo proteínas diferentes, mas que podem não ser tão eficazes no tratamento de doenças inflamatórias desencadeadas pelo epitélio, afirmou a AstraZeneca.

Pacientes com esofagite eosinofílica também recebem esteroides tópicos e medicamentos que reduzem a produção de ácido gástrico, muitas vezes acompanhados de restrições alimentares. Durante o estudo, os pacientes puderam continuar usando esses tratamentos de base.

O Tezspire já foi aprovado em vários países como tratamento complementar para asma grave e concorre com o Dupixent, medicamento de grande sucesso da Sanofi e da Regeneron.

O medicamento gerou US$ 1,13 bilhão (R$ 5,6 bilhões) em vendas para a AstraZeneca e US$ 1,48 bilhão (R$ 7,6 bilhões) para a Amgen em 2025.

Embora o resultado possa ajudar a restaurar parte da confiança no portfólio da AstraZeneca, pressionado por uma série de fracassos em estudos e obstáculos regulatórios, os investidores continuam concentrados nos próximos resultados de dois estudos sobre câncer, considerados mais relevantes para as perspectivas de crescimento da empresa e para o preço de suas ações.

O CEO Pascal Soriot está conduzindo a AstraZeneca rumo à meta de US$ 80 bilhões (R$ 413 bilhões) em vendas anuais até 2030, apostando no lançamento de até 20 novos medicamentos enquanto a empresa enfrenta o vencimento de patentes e resultados decepcionantes em estudos.

Em julho, o medicamento Wainua, para doenças neurológicas, fracassou, contrariando expectativas da empresa em um estudo sobre doenças cardíacas, enquanto um estudo avançado do Ultomiris, para doenças raras, também não teve sucesso. Em maio, um painel regulador dos Estados Unidos rejeitou o medicamento camizestrant, para câncer de mama, devido ao desenho do estudo.

A AstraZeneca também interrompeu neste mês um estudo em estágio avançado do medicamento experimental volrustomig, para câncer de pulmão, depois que um comitê responsável pela supervisão do estudo afirmou ser improvável que ele atingisse seu principal objetivo.

As ações da empresa caíam 0,6% às 11h14 GMT desta quinta-feira, acumulando queda de 14% desde o fracasso do estudo do Wainua.

Autor: Folha

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