Impressiona a capacidade que Neymar tem de se manter protagonista no noticiário esportivo. Muito mais presente do que poderia se supor depois da Copa do Mundo.
Encerrada a competição, a qual ele começou recuperando-se de lesão –cuja gravidade não foi divulgada antes da convocação de Carletto Ancelotti– e na qual esteve pouco em campo, marcando um único gol, de pênalti, nos acréscimos da eliminação ante a Noruega, era esperado que os holofotes dessem uma desviada do camisa 10.
Que nada. Seja por isso (bate-boca com a imprensa), seja por aquilo (desistiu mesmo da seleção, como disse, ou ainda volta, como Neymar pai deixou no ar?), Neymar aparece no meu dia, e no seu também, sem que eu ou você o procuremos. E isso porque eu dou pouquíssima atenção às redes sociais, ou seria mais maciça a impregnação de sua figura, de domingo a domingo.
Assisto quase diariamente na TV a um telejornal esportivo curto, e, sempre que se fala do Santos, o apresentador, ao chamar o repórter, solta algo assim: “E o Neymar? Treinou? Vai jogar?”. Nem é culpa dele. As pessoas querem saber do Neymar.
Por que querem? Porque, mais que um jogador de futebol, faz muito tempo Neymar é uma celebridade. Conquistou esse status ao longo da carreira profissional, iniciada no fim dos anos 2000 no mesmo Santos em que joga agora.
Destoava com seu excelente futebol. Liderou o clube do litoral paulista ao título da Libertadores de 2011, o primeiro depois da era Pelé. Veio o Barcelona, e ele jogou com Messi, coadjuvando-o. Não querendo mais ficar na sombra do argentino, migrou para a França, sendo a transferência para o PSG a mais cara do futebol até hoje (222 milhões de euros). Depois teve passagem pelo futebol saudita (mal jogou lá) e regressou ao Brasil.
Simultaneamente, viveu três cenários:
1) ídolo na seleção brasileira, com capítulos diversos (ascensão rápida a melhor do time, joelhada nas costas, título olímpico, fama de cai-cai, vaga cativa por falta de sucessor, eliminações doídas Copa a Copa, recorde de gols);
2) lesões em série a partir de 2018 (pé, tornozelo, joelho), que contribuíram para seu declínio físico;
3) extracampo megamovimentado, com atividades com parças (festas, viagens, eventos), filhos (quatro e um quinto a caminho, de três mães diferentes), garoto-propaganda de bets (altamente reprovável), prática de pôquer (inclusive logo após a queda na Copa deste ano).
Tem ainda o lado empresarial (mercado imobiliário, vinhos, e-sports) e o filantrópico (Instituto Neymar Jr., com leilões beneficentes).
Difícil saber como o futebol cabe em uma vida tão diversificada, que nasceu… do que ele fez no futebol. Sem o futebol, Neymar seria possivelmente uma pessoa comum.
O craque tem atualmente 242 milhões de seguidores no Instagram e perto de 65 milhões no X. Ninguém no Brasil é tão popular. Com tanta gente querendo saber dele, acaba sendo natural falar dele. Milhares o adoram, milhares o detestam.
A certeza é uma só: dia sim, dia sim (e ele ajuda, vide o “espetáculo” que deu ao tirar onda escandalosamente do Remo depois que o Santos eliminou o time paraense na Copa do Brasil), Neymar gera uma manchete.
Você goste ou não, você queira ou não, você terá Neymar. Diuturnamente. Pelo menos até ele se aposentar.
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Autor: Folha








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