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Aimê quer abrir caminho para confeitaria nipo-brasileira – 15/10/2026 – Restaurantes


São Paulo


A confeitaria do Aizomê chegou à maioridade. Essa produção de doces que começou há três anos dentro de refrigeradores no restaurante japonês tem hoje 35 receitas e quatro operações no portfólio. Com o crescimento, veio também o amadurecimento da personalidade, um nome próprio e um novo endereço.

O Aimê, mistura de confeitaria e café, abre suas portas no dia 27 de outubro em uma rua tranquila de Pinheiros, região oeste, ao lado do wine-bar Sede 261, onde clientes se sentam nas calçadas em cadeiras de praia para tomar vinho.

Hakumitsu da confeitaria Aimê

Hakumitsu da confeitaria Aimê

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Rafael Salvador/Divulgação

Além da bagagem do restaurante e do café Aizomê na Japan House, os pães, choux, salgados, doces e cafés servidos ali carregam um olhar sobre como imigrantes japoneses construíram sua cozinha no Brasil —ao assimilar e cultivar por aqui novos ingredientes. Foi um tema recorrente em palestras, pesquisas e viagens da chef Telma Shimizu em seu trabalho como embaixadora oficial da culinária nipônica no país.

Um tipo de cacau que está em testes no Aimê explica o raciocínio. Ele veio de Tomé-Açu, cidade paraense ao sul da capital Belém que ficou conhecida na década de 1970 pela produção de pimenta-do-reino. Ali está uma das comunidades nipônicas mais importantes do país.

“Esse cultivo entrou em declínio depois de uma doença. Mas, hoje, a região se tornou um case de sucesso pela policultura feita em sistema agroflorestal, afirma Telma, que visitou o município no fim do ano passado. O cacau é um dos seus principais produtos.

A chef decidiu dar um passo à frente e imaginar uma palavra para traduzir essa conexão: hakugashi. O termo designa uma confeitaria que conjuga a filosofia e técnica japonesas com sabores e ingredientes brasileiros —em paralelo com as definições wagashi (a confeitaria clássica japonesa) e yogashi (a adaptação ao gosto Ocidental), já consolidadas.

“Não tinha nenhuma expressão que pudesse definir o nosso trabalho. Mas essa nova palavra também extrapola isso. O Peru, por exemplo, tem um termo para explicar sua cozinha nikkei [fusão da comida local com a nipônica]. Nós, que temos uma colônia enorme, não”, explica Telma, também chef responsável pela cozinha do Consulado do Japão.

A ideia é costurada das receitas comestíveis às bebidas do cardápio sob comando do chef-pâtissier Rafael Aoki, ampliando a proposta do Aizomê Café, na Japan House.

Na ala de panificação, há um shiopan (R$ 26) feito com creme de alho, Catupiry, missô e alga em flocos. O pão japonês preparado com uma boa dose de manteiga, casquinha firme e miolo macio, também é base para o hotto póchi (R$ 44) hot-dog com salsicha alemã, salada de repolho, maionese de mostarda japonesa, molho okonomiyaki e furikake.

Quem quiser, pode comer ali mesmo, em um gostoso salão com 20 lugares e vista para a cozinha, ou pedir para viagem, aproveitando o clima de outros negócios da rua. Nas vitrines, Aimê oferece 12 opções sazonais de doces, entre elas o hakumitsu (R$ 48), uma referência à clássica torta de limão, que leva musse de yuzu e mel de jataí, shortbread de castanha-de-caju, compota de pera e gelatina de yuzu também com mel de jataí.

Também estão as clássicas choux (massa leve crocante com recheio) como a feita com carvão de bambu, craquelin de cacau black e creme de matchá Fuji Guti (R$ 30). Bombons (R$ 15 cada) seguem a mesma inspiração: aparecem nos recheios sabores como jabuticaba, compota de cambuci e ganache de cumaru.

Essa sintonia ainda está na criação de bebidas —em que fica evidente a parceria entre Rafael Aoki e Cauã Sperling, eleito barista do ano pelo especial O Melhor de São Paulo Gastronomia 2026. O especialista em torra à frente da cafeteria Fora da Lei já era responsável pela seleção de grãos também no Aizomê Café.

Além das sugestões de grãos de diferentes origens e métodos como Origami, a carta tem também bebidas que unem referências brasileiras e japonesas —à base de café ou chá. O matchá jabuticaba latte, por exemplo, leva compota de jabuticaba, leite e espuma de matchá (R$ 34). Frentes diferentes que seguem outro conceito nipônico: kodawari, palavra que traduz a busca pela excelência dentro da cultura japonesa.

Aimê

R. Benjamim Egas, 275, Pinheiros, região oeste. Ter. a sáb., das 9h às 18h. Dom., das 10h às 18h.

Autor: Folha

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