A norte-americana Rachel Apa, 24, morreu após passar mal durante a Maratona de Nova York, no domingo (1º). Ela corria sua primeira prova de 42 km e estava a pouco mais de 3 km da linha de chegada quando desmaiou.
Segundo a família, a causa da morte foi a rabdomiólise, condição que pode ocorrer após um esforço físico muito intenso.
Rachel chegou a ser socorrida e passou por reanimação, mas não resistiu. Ela havia se preparado durante meses para a corrida, segundo informações do New York Times.
Lesão muscular pode ser fatal
Durante qualquer esforço físico, as fibras musculares sofrem pequenas lesões e liberam substâncias no sangue. Em condições normais, o organismo consegue lidar com esse processo. Na rabdomiólise, porém, a destruição das fibras é tão extensa que essas substâncias se acumulam na corrente sanguínea.
Uma delas é a mioglobina, proteína que ajuda os músculos a armazenar oxigênio. Os rins filtram o sangue e eliminam resíduos pela urina, mas o excesso de mioglobina pode prejudicar esse trabalho.
“Quando os rins deixam de funcionar adequadamente, ocorre a insuficiência renal aguda, que é muito perigosa, já que nosso organismo depende da filtração dos rins”, explica a médica do esporte Karina Hatano, do Espaço Einstein – Esporte e Reabilitação.
A destruição muscular também libera potássio e outras substâncias. Em concentrações elevadas, elas podem alterar o funcionamento do coração.
Nos casos mais graves, essas complicações podem levar à morte.
Fatores de risco
No exercício físico, o risco está associado principalmente à intensidade do esforço em relação à capacidade do organismo de suportá-lo. Uma pessoa que não está acostumada a treinar pode se expor à condição ao realizar uma atividade extenuante.
Isso não significa que a rabdomiólise seja exclusiva de iniciantes ou de pessoas sedentárias. Atletas e praticantes regulares também podem desenvolver o quadro, especialmente quando aumentam muito a carga de treinamento ou se exercitam em condições desfavoráveis.
A condição pode ocorrer em diferentes modalidades, como corrida, musculação, crossfit e spinning. O fator determinante não é o tipo de exercício, mas a sobrecarga muscular.
A rabdomiólise também pode ser desencadeada por traumatismos, infecções, exposição prolongada ao calor e uso de determinados medicamentos, como estatinas.
Quais são os sinais de alerta
Dor muscular intensa, fraqueza e inchaço estão entre os sintomas da rabdomiólise. A urina também pode adquirir uma coloração escura, semelhante à de chá ou refrigerante de cola, devido à presença de mioglobina.
Nem todas as pessoas apresentam esses sinais. Além disso, a dor muscular é comum após o exercício, o que pode dificultar a identificação do problema.
A persistência ou a intensidade incomum da dor, a fraqueza acentuada e a alteração da cor da urina são motivos para procurar atendimento médico. Os sintomas podem aparecer durante a atividade física ou horas e dias depois.
Como é feito o diagnóstico
A avaliação médica inclui exames de sangue e de urina. Um dos principais indicadores é a creatinoquinase (CK ou CPK), enzima presente nos músculos cuja concentração aumenta quando há lesão das fibras musculares.
Os exames também ajudam a verificar se os rins foram afetados e se houve alterações nos níveis de eletrólitos, como o potássio.
O tratamento depende da gravidade do quadro. Em geral, inclui a administração de líquidos por via intravenosa para ajudar os rins a eliminar as substâncias liberadas pelos músculos.
Em situações mais graves, o paciente pode precisar de internação e diálise. A rapidez do atendimento é importante para reduzir o risco de complicações.
Já a recuperação depende da extensão da lesão e de eventuais danos aos órgãos. “Normalmente, costuma levar de três dias a uma semana”, diz Hatano.
Como reduzir o risco
A prevenção começa pela adaptação gradual do corpo ao exercício. Pessoas que estão iniciando uma atividade física devem evitar treinos extenuantes e aumentar a intensidade e a duração das sessões progressivamente.
A hidratação também merece atenção, sobretudo durante atividades prolongadas ou em ambientes quentes. Alimentação adequada e períodos de descanso entre os treinos contribuem para a recuperação muscular.
O médico do esporte Bernardino Santi recomenda que quem pretende realizar exercícios intensos deve considerar uma avaliação médica, especialmente se tiver doenças preexistentes ou usar medicamentos que possam afetar os músculos ou os rins.
“E para quem já pratica exercícios, avaliações periódicas ajudam a identificar condições que exigem cuidados específicos”, afirma Santi.
Ao perceber dor muscular muito intensa, fraqueza fora do habitual, tontura ou mal-estar durante o exercício, a pessoa deve interromper a atividade. Se os sintomas persistirem ou vierem acompanhados de urina escura, é necessário procurar atendimento médico.
Autor: Folha








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